A percepção de que a elevação da taxa de juros americana será postergada para o final do ano, acrescida no front interno de uma retomada de luz no quadro político e uma trajetória, senão positiva, porém mais clara para a área econômica vem se desenhando. Obviamente, o novo equilíbrio de forças que vem se estampando no horizonte não representa nem de longe uma estrada reta e plana, e sim uma via sinuosa e esburacada, onde avanços e retrocessos serão a tônica deste cenário.
EUA
A até então saudável economia americana mostrou sinais de desaceleração com a criação de empregos decepcionando as expectativas dos agentes. Com isso, volta com força a tese de que o FED deverá monitorar o mercado de trabalho e a inflação com viés indulgente, de forma a não cometer o erro de abortar a retomada da economia, como ocorrido em 1937. Alteramos nossa expectativa quanto a uma possível alta dos juros americanos de junho para setembro. Até lá, a Bolsa americana deve permanecer em tendência de alta, mesmo que isto represente múltiplos elevados.
Zona do Euro
A Zona do Euro permanece dentro do escopo de recuperação num cenário de cansativa morosidade. A fartura de dinheiro deverá impulsionar as Bolsas na região e, no curto prazo, o Euro deve se deslocar para um ponto de equilíbrio entre €/US$ 1,05 e €/US$ 1,10.
China
As dúvidas sobre o futuro do crescimento chinês permanecem latentes no atual cenário onde uma diminuição no ritmo de prosperidade da economia americana pode arrefecer ainda mais as expectativas sobre uma retomada aos patamares ocorridos no passado.
Brasil
A presidente Dilma Rousseff viveu neste início de mandato os piores 100 dias de um chefe do poder executivo de nossa história republicana. Sitiada no poder, se mostrou obrigada a transferir o controle da economia e da gestão política. Joaquim Levy e Michel Temer são hoje os principais interlocutores do Governo frente a sociedade civil, o empresariado e ao Congresso Nacional. O problema é que nenhum dos dois segue os dogmas do PT, muito pelo contrário, Levy é de uma escola ortodoxa e Temer um articulador do consenso. O enfraquecimento do PT no Governo deu novos ares ao cenário politico e econômico até então deteriorado em trajetória de ruptura. Contudo, apesar de uma sensível melhoria nos ânimos dos agentes, as políticas a serem implementadas deverão seguir um rumo recessivo, com política fiscal austera e monetária restritiva. 2015 será definitivamente um ano de vacas magras. Para 2016, a retomada tão logo ocorrerá quanto à convergência da dupla Levy-Temer consigam acelerar os tramites de aprovação no Congresso das reformas na área econômica. O mercado se posta na figura de São Tomé e sente um alivio quanto às expectativas, mas permanece cético em relação às metas propostas por Levy. O termômetro deste cenário deverá se refletir na taxa de inflação, que depois de um ajuste tarifário no curto prazo para dar transparência à nova gestão, deverá refletir no médio e longo prazo o desaquecimento da economia ou a defesa dos empresários perante os riscos de uma nau sem capitão.
Juros
Os efeitos dos aumentos de tarifas no curto prazo se fizeram sentir de forma vigorosa na inflação acumulada do primeiro quadrimestre em 4,51% (considerando-se o IPCA de abril em 0,66%). Com isso, a meta do ano já foi atingida e a banda deve ser rompida. Porém, a recessão que se avista no horizonte do segundo semestre deverá arrefecer de forma consistente os preços ao consumidor. Portanto, a inflação implícita, que até agora se mostrou elevada em toda curva de juros de longo prazo, deverá ceder. Nossa expectativa é de que o BACEN realize somente mais uma alta de juros de 0,25 pp, na próxima reunião do COPOM de 29 de abril, trazendo a taxa básica para 13% e depois interrompa o ciclo. Com isso, nossa sugestão é de se aplicar recursos em pré-fixado, tanto na renda fixa quanto em instrumentos de índices de preços, de forma a aproveitar o fechamento dos juros e dos cupons.
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Câmbio
Com a “terceirização” do Governo e sua viabilização no curto prazo a moeda norte americana deve se acomodar num patamar mais baixo do atualmente praticado. Nossa expectativa é de que o dólar passe a flutuar numa banda entre US$/R$ 2,9 e US$/R$ 3,1.
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Bolsa
O cenário um pouco mais positivo de curto prazo deverá extrair o pessimismo do índice de ações com uma consequente melhora, porém as perspectivas de um cenário recessivo no médio prazo não são nada animadoras para o Ibovespa. Permanecemos recomendando cautela para investimentos em Bolsa.