Publicado em 05/11/2026 02h30

Mudanças no clima ampliam desafios ao agro

Eventos extremos de calor e seca podem comprometer a produtividade agrícola.
Por: Leonardo Gottems

O aumento da frequência de secas prolongadas e temperaturas extremas nas florestas tropicais pode trazer consequências para o equilíbrio climático e a produção agrícola nas próximas décadas. O alerta é do engenheiro agrônomo Décio Luiz Gazzoni, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e da Academia Brasileira de Ciências, com base em estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Ghent, na Bélgica.

A pesquisa analisou os impactos do El Niño de 2023 e 2024 e identificou que aproximadamente 75% das florestas tropicais enfrentaram, em média, seis meses de condições simultâneas de calor e seca anormais. Segundo os pesquisadores, esses episódios podem se tornar mais frequentes ao longo do século, especialmente se as emissões de gases de efeito estufa permanecerem elevadas.

A Amazônia aparece entre as regiões mais vulneráveis. Além de comprometer o crescimento das árvores e a capacidade de absorção de carbono, o agravamento das secas pode afetar a distribuição das chuvas em outras áreas brasileiras.

Conforme Gazzoni, alterações no regime climático amazônico representam riscos para a agricultura do Centro-Oeste, Cerrado, Tocantins e oeste da Bahia, com possíveis reduções de produtividade. No Sul, o excesso de chuvas também pode provocar alagamentos, dificultar operações agrícolas e causar perdas nas lavouras.

“Um aspecto fundamental: apesar das inúmeras evidências, fatos, números, mapas e gráficos que os cientistas informam cotidianamente, ainda existem pessoas no mundo atual que negam a existência de mudanças climáticas – embora elas estejam sendo diariamente afetadas por elas. O pior dos mundos é quando lideranças políticas – aquelas que poderiam implementar políticas públicas para evitar o desastre futuro – compartilham da visão de negação da Ciência, arrastando o mundo para uma catástrofe anunciada”, conclui.