Publicado em 03/11/2026 11h33

Entenda como a safra dos EUA e o clima no Brasil movem o milho

O milho fechou em alta na Bolsa de Chicago impulsionado pela forte demanda de exportação dos EUA e pela desaceleração no ritmo da colheita.
Por: Wisley Torales

O mercado futuro do milho encerrou a segunda-feira registrando valorização na Bolsa de Chicago, sustentado por uma combinação de fatores operacionais e econômicos. O movimento positivo nas cotações ocorreu em uma sessão marcada pelo equilíbrio entre a oferta abundante vindoura da colheita norte-americana e os sinais favoráveis de demanda aquecida no cenário internacional. De acordo com a consultoria TF Agroeconômica, compras de oportunidade, a desvalorização do dólar frente ao euro e a previsão de chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos atuaram como suporte para os preços.

Na Bolsa de Chicago, o contrato com vencimento para dezembro avançou 0,11%, o equivalente a um ganho de 0,50 centavo de dólar por bushel, sendo cotado a US$ 4,4825 ao final dos negócios. Já a posição para março registrou alta de 0,22%, subindo 1 centavo por bushel e encerrando o dia negociada a US$ 4,62. Contudo, o ímpeto comprador encontrou resistência no volume de cereal que ingressa no mercado físico diário, decorrente da colheita da segunda maior safra da história dos Estados Unidos. Levantamentos privados apontam que os trabalhos no campo alcançaram 73% da área apta.

O avanço das máquinas nos campos norte-americanos amplia a disponibilidade imediata nos pontos de transbordo e terminais portuários, limitando altas mais expressivas no curto prazo.

Sustentação em Chicago: A combinação de compras do México e desvalorização do dólar impulsionou os contratos futuros do milho, compensando a pressão da colheita americana.

Demanda aquecida e logística de exportação nos Estados Unidos

Pelo lado do consumo internacional, os números divulgados pelas autoridades americanas trouxeram fôlego ao mercado de commodities. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de um lote expressivo de 1,730 milhão de toneladas de milho destinadas ao México. A transação reforçou a percepção de demanda sólida na América do Norte, atuando como um pilar de sustentação para a precificação do grão.

Além da venda pontual, o relatório semanal de inspeções de embarque nos portos dos Estados Unidos apontou um volume de despachos 39% superior ao registrado no período anterior. A aceleração nos embarques reflete a busca compradora internacional, amenizando o impacto do fluxo contínuo de grãos originados da colheita que chega às unidades de armazenamento.

O fator climático no hemisfério norte também entrou no radar dos negociadores. A previsão de tempestades no Meio-Oeste americano durante a semana tende a paralisar temporariamente o trabalho dos maquinários, reduzindo a velocidade de chegada do milho recém-colhido ao mercado.

Venda ao México: O USDA confirmou a comercialização de 1,730 milhão de toneladas de milho ao mercado mexicano, acompanhada por alta de 39% nas inspeções semanais.

Cenário na América do Sul e impactos nas lavouras brasileiras

Enquanto os Estados Unidos finalizam os trabalhos de colheita, os países produtores da América do Sul avançam na semeadura do ciclo 2026/27 sob condições meteorológicas que exigem acompanhamento. No Centro-Sul do Brasil, estimativas de mercado apontam que o plantio da primeira safra de milho atingiu 63% da área projetada para a atual temporada agrícola.

Nas regiões produtoras do Sul do país, o excesso de precipitações aliado às baixas temperaturas registradas prejudica o desenvolvimento vegetativo inicial das plantas, desacelerando o estabelecimento dos campos cultivados. O atraso no ciclo das lavouras do Sul pode alterar a janela ideal de colheita e impactar o planejamento logístico regional.

Na Argentina, dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam que a semeadura do cereal alcançou 47% da área estimada. A evolução do plantio sul-americano permanece no foco dos analistas globais, ajustando as projeções de oferta em um momento de demanda internacional ativa.