Uma vitória judicial nos Estados Unidos movimentou as ações de uma fabricante de defensivos agrícolas e marcou novo capítulo nas disputas sobre o glifosato. Segundo o Times Brasil, com informações do Estadão Conteúdo, os papéis da Bayer chegaram a subir 5,2% na sexta-feira (30), após um resultado favorável em processo relacionado ao herbicida Roundup.
Na quinta-feira (29), um júri do Missouri rejeitou por unanimidade acusações de defeito do produto, fraude e negligência feitas por três mulheres que associavam o herbicida ao desenvolvimento de câncer. Foi o primeiro julgamento sobre o Roundup desde a decisão da Suprema Corte americana, em junho, que restringiu ações baseadas na ausência de alertas sobre câncer nos rótulos, quando não exigidos pela agência ambiental do país.
O resultado foi recebido positivamente por analistas dos bancos Jefferies e J.P. Morgan, mas não encerra as disputas. A Bayer ainda enfrenta cerca de 65 mil processos nos Estados Unidos. Em fevereiro, elevou para 11,8 bilhões de euros as provisões e os passivos ligados a litígios, dos quais 9,6 bilhões de euros relacionados ao glifosato.
A companhia também aguarda aprovação judicial para uma proposta de acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões. O Roundup passou a integrar seu portfólio após a aquisição da Monsanto, em 2018.
No Brasil, a Anvisa manteve os registros do glifosato com restrições após reavaliação concluída em 2020. Em setembro, uma decisão trabalhista suspendeu por 90 dias novos registros e autorizações para defensivos à base da substância, sem atingir produtos já autorizados. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) classifica o glifosato como provavelmente cancerígeno, enquanto a agência ambiental dos Estados Unidos adotou conclusão diferente.