
A Associação Novilho Precoce Tocantins iniciou um movimento para mapear e adaptar referências nacionais de sustentabilidade à pecuária do estado. Entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro, o diretor de Sustentabilidade da entidade, Luciano Vilela, acompanhou dois encontros do setor em São Paulo. A missão oficial buscou identificar modelos de gestão, mecanismos de mercado de carbono e estratégias de governança aplicáveis às propriedades tocantinenses.
A agenda do dirigente começou no Global Agribusiness Forum, Food, Festival & Fellowship (GAFFFF), promovido pela DATAGRO nos dias 1º e 2 de outubro. Luciano integrou uma comitiva de 30 empreendedores organizada pelo Sebrae Tocantins. Paralelamente, o representante da associação acompanhou a entrega da 10ª edição do Prêmio Fazenda Sustentável, organizado pela revista Globo Rural no dia 30 de setembro.
Os debates no GAFFFF abordaram temas centrais para a evolução da pecuária moderna, como boas práticas agropecuárias, transição energética, inovação e mensuração de neutralidade de carbono. A programação enfatizou a importância da governança corporativa e do uso estruturado de dados para a mitigação de riscos financeiros, ampliação do acesso ao crédito rural e ganho de competitividade nas cadeias produtivas de carne bovina.
Gestão e dados: O uso de informações estruturadas e governança fortalece a gestão de riscos e amplia a competitividade da pecuária no mercado financeiro.
A cerimônia do Prêmio Fazenda Sustentável reuniu 136 propriedades rurais inscritas de diversas regiões do país. A premiação avaliou critérios rigorosos de produtividade, conservação ambiental, governança e responsabilidade social. As iniciativas vencedoras demonstraram a viabilidade técnica de integrar a conservação ambiental à rentabilidade econômica no campo.
Na categoria voltada às grandes propriedades, o reconhecimento ficou com as Fazendas Caxambu e Aracaçu, localizadas em Três Pontas (MG). Os estabelecimentos destacaram-se pelo estabelecimento de corredores ecológicos, geração de energia fotovoltaica, reaproveitamento de resíduos biológicos e uso de insumos orgânicos. Entre as médias propriedades, a vencedora foi a Fazenda Cabeceira da Prata, de Jardim (MS), que combina pecuária extensiva, ecoturismo e compostagem.
Na divisão de pequenas propriedades, a Comunidade Cristã Refúgio das Águias, de Bonito (MS), conquistou o primeiro lugar com ações de horticultura orgânica, tratamento de efluentes e desenvolvimento social.
Exemplo nacional: Vencedoras do prêmio aliam preservação ambiental, geração de energia limpa e uso de bioinsumos à produção agropecuária.
O contato com as propriedades premiadas orienta o planejamento de novas diretrizes para a Novilho Precoce Tocantins. A entidade já desenvolve programas focados em capacitação técnica, bem-estar animal e protocolos de manejo no embarque de gado. A meta agora consiste em expandir essas ações para contemplar a mensuração de carbono e a adequação ambiental progressiva dos associados.
De acordo com Luciano Vilela, o conhecimento absorvido nos eventos paulistas servirá de base para incentivar os produtores tocantinenses a adotarem sistemas de gestão mais eficientes. A associação projeta preparar os pecuaristas locais para que, nos próximos anos, propriedades do Tocantins figurem entre as finalistas e vencedoras de premiações nacionais de sustentabilidade.
As diretrizes colhidas em São Paulo serão apresentadas aos pecuaristas associados durante as próximas rodadas de seminários técnicos promovidas pela entidade no estado.