A economia brasileira apresenta sinais de desaceleração, enquanto a inflação persistente nos Estados Unidos e as incertezas internacionais ampliam os desafios para os próximos meses. Segundo análise do Rabobank, os indicadores de agosto mostram perda de força do varejo e dos serviços, apesar do crescimento registrado pelo índice que acompanha a atividade econômica nacional.
O IBC-Br avançou 0,34% em agosto, superando a expectativa de 0,2% do mercado, após queda de 0,31% em julho. Entretanto, outros indicadores revelam dificuldades. O varejo ampliado recuou 0,2%, contrariando a projeção de crescimento de 1%. O setor de serviços também apresentou retração de 0,1%, diante de uma expectativa de expansão de 0,5%.
No cenário internacional, o núcleo da inflação ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,3% em setembro, acima dos 0,2% esperados. Já os preços ao produtor avançaram 1,3%, impulsionados pela elevação de 10,8% nos custos de energia. Os resultados reforçam as preocupações com a persistência da inflação e a possibilidade de novas altas dos juros americanos.
As tensões entre Estados Unidos e Irã também permanecem no radar, mantendo o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril. No mercado cambial, o dólar encerrou a semana anterior cotado a R$ 5,0628, representando uma desvalorização de 1,52% do real. O desempenho foi o segundo pior entre 24 moedas emergentes acompanhadas.
O Rabobank mantém sua projeção de dólar a R$ 5,35 no encerramento de 2026, embora reconheça a possibilidade de um cenário mais favorável para a moeda brasileira no curto prazo.
A atenção agora se volta para a divulgação do IPCA-15 de outubro, prevista para sexta-feira (23). A instituição projeta inflação de 0,42% no mês e 4,72% no acumulado de 12 meses, em um ambiente marcado pela perda de dinamismo da economia e pelas incertezas sobre os juros.