
A volatilidade no mercado global de fertilizantes voltou a pressionar o orçamento das propriedades agrícolas brasileiras na safra 2026/27. Relatório divulgado pelo banco Rabobank indica que o acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a manutenção de restrições às exportações impostas pela China sustentam a valorização dos adubos nitrogenados e fosfatados importados pelo Brasil.
O estudo do RaboResearch destaca que perturbações logísticas em rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, afetam o fluxo regular de entrega de insumos. O Oriente Médio figura como um dos maiores polos exportadores de ureia, e a instabilidade na região eleva os prêmios de risco e os custos do frete marítimo internacional.
A ausência continuada da China das exportações de fertilizantes fosfatados adiciona pressão sobre as cotações globais do fosfato monoamônico (MAP) e do fosfato diamônico (DAP). A decisão do governo chinês de priorizar o suprimento de seu mercado doméstico reduz a oferta no comércio exterior, enquanto o encarecimento do enxofre eleva os custos industriais das refinarias e fábricas de fertilizantes.
Gargalo no fosfato: A restrição chinesa nas exportações e o enxofre mais caro mantêm as cotações do MAP e do DAP em patamares elevados no mercado global.
No balanço apurado pelo Rabobank, o custo do fertilizante por hectare registra variações expressivas nas principais regiões produtoras das Américas. Na Argentina, o gasto com adubação no cultivo de milho apresenta salto de 205% na comparação anual, subindo de US$ 84 para US$ 255 por hectare, enquanto na soja a alta atinge 39%, alcançando US$ 57 por hectare.
Nas lavouras brasileiras, o desembolso com adubação na cultura do milho atinge US$ 248 por hectare no ciclo 2026/27, alta de 10% em relação aos US$ 226 registrados na safra anterior. Para a soja, o custo médio com adubos no Brasil eleva-se para US$ 290 por hectare, somando-se ao gasto com defensivos agrícolas, estimado em US$ 301 por hectare pela instituição financeira.
O retorno parcial da China ao mercado exportador de nitrogenados oferece alívio pontual às cotações da ureia, mas esse movimento compensa apenas parte do déficit de oferta gerado pelas tensões logísticas globais. A dependência externa do agronegócio brasileiro para o suprimento de NPK mantém os produtores vulneráveis às oscilações cambiais e do frete.
Custo do milho: A adubação da lavoura de milho no Brasil sobe para US$ 248 por hectare na safra 2026/27, acumulando alta de 10% no comparativo anual.
Para contornar o encarecimento da nutrição vegetal, produtores rurais redefinem suas estratégias de aquisição. Na Austrália, fazendeiros anteciparam a compra de adubos e expandiram a capacidade de armazenamento de óleo diesel nas propriedades, reduzindo os riscos de desabastecimento durante o plantio, embora a medida exija maior volume de capital de giro.
Em países da União Europeia, onde os custos agregados de insumos subiram entre 10% e 15% acima da safra anterior, os agricultores optaram pela redução na dosagem de aplicação por hectare e pela substituição por fórmulas nutricionais de menor custo. Contudo, essa contenção de investimentos em nutrientes limita o potencial produtivo das lavouras em cenários de clima adverso.
No Brasil, analistas do Rabobank orientam que o monitoramento constante do mercado internacional de matérias-primas e o uso de ferramentas de travamento de preços (barter) constituem os caminhos para proteger a margem operacional das fazendas.
O comportamento dos preços do gás natural na Europa e a política de cotas de exportação de insumos no mercado asiático seguirão como os fatores determinantes para a formação de preços dos fertilizantes no primeiro semestre de 2027.