Women in Ag Award 2026 premia inovação feminina no EuroTier
Publicado em 14/10/2026 06h30

Women in Ag Award 2026 premia inovação feminina no EuroTier

A DLG e a Women in Ag Magazine anunciaram as quatro vencedoras do Women in Ag Award 2026, premiação internacional celebrada na EuroTier.
Por: Wisley Torales

A liderança feminina na pesquisa agrícola e no desenvolvimento de tecnologias para o campo ganha projeção internacional com o anúncio das vencedoras do Women in Ag Award 2026. Organizada pela Sociedade Alemã de Agricultura (DLG) em parceria com a revista Women in Ag Magazine, a quinta edição do prêmio reuniu mais de 170 participantes provenientes de 62 países, destacando soluções aplicadas à gestão hídrica, reciclagem de resíduos, biogás e educação digital.

A revelação das agraciadas coincide com o Ano Internacional da Mulher Agricultora, promulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2026. A iniciativa busca dar visibilidade ao papel estratégico exercido pelas mulheres na sustentabilidade da produção de alimentos, na transição energética rural e na segurança alimentar global.

O avanço dessas tecnologias internacionais desperta o interesse de produtores e pesquisadores brasileiros, que buscam modelos de gestão e sustentabilidade aplicáveis às diferentes realidades produtivas do país.

Reconhecimento global: O prêmio organizado pela DLG reuniu mais de 170 candidatas de 62 países durante o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

Inovações em produção hídrica e bioeconomia

Marianne van den Hoek-Huijbregts é uma agricultora holandesa, inovadora na área de água doce e defensora da agricultura resiliente. Juntamente com o marido, administra uma fazenda familiar de 220 hectares, de quinta geração, na ilha de Schouwen-Duiveland, onde a salinização e a escassez de água ameaçam a produção de alimentos. Foto DLG

Na categoria de produção agrícola, o primeiro lugar foi concedido à produtora holandesa Marianne van den Hoek-Huijbregts. A agricultora desenvolveu uma tecnologia de captação e armazenamento subterrâneo de água da chuva direcionada à irrigação de lavouras. A estrutura foi implementada em sua propriedade familiar de 220 hectares para conter a escassez de água e a salinização do solo, desafios que também atingem regiões irrigadas do Nordeste e do Sul do Brasil.

Ifeoma Oluchukwu Mary Okonkwo é uma empreendedora agrícola nigeriana e cofundadora e diretora-geral do Grupo Ifgreen Industries & Investment Ltd, uma empresa que transforma culturas nativas em produtos alimentícios nutritivos, criando meios de subsistência sustentáveis. Foto DLG

No segmento de agronegócio, o prêmio reconheceu a atuação da empresária nigeriana Ifeoma Okonkwo. Sua empresa trabalha no processamento industrial da mandioca e no reaproveitamento de resíduos agrícolas para a geração de biogás, fertilizantes orgânicos e ração para alimentação animal.

A operação capitaneada por Okonkwo gerou mais de 3.200 postos de trabalho diretos na Nigéria e atende diretamente mais de 800 mulheres agricultoras fornecedoras de matéria-prima.

Impacto no agronegócio: A inclusão do biogás e da biofertilização a partir de resíduos da mandioca gerou mais de 3.200 empregos na Nigéria.

Educação digital e bioconversão de resíduos

Valeriya Yudina é uma líder em educação e desenvolvimento de talentos com mais de 30 anos de experiência, dedicada a formar a próxima geração de profissionais da agricultura. Foto DLG

A categoria de educação destacou o projeto da pesquisadora cazaque Valeriya Yudina, focado na formação técnica e na capacitação de jovens profissionais. A iniciativa criou plataformas de integração entre estudantes, centros universitários e empresas do setor privado para preparar trabalhadores rurais para as demandas da agricultura digital e da automação no campo.

Katharina Unger é designer industrial, empreendedora e fundadora e CEO da LIVIN farms. Ela dedicou mais de uma década ao avanço da agricultura circular por meio de tecnologias baseadas em insetos. Foto DLG

Na categoria de tecnologia e pesquisa, a cientista austríaca Katharina Unger obteve a primeira colocação ao projetar sistemas automatizados de bioconversão de resíduos orgânicos por meio de insetos. A tecnologia transforma subprodutos industriais em fontes concentradas de proteína vegetal e animal, óleos e adubos orgânicos.

Atualmente, os módulos automatizados projetados por Unger processam mais de 100 mil toneladas de subprodutos orgânicos por ano, oferecendo alternativa para a nutrição animal e a economia circular.

A entrega formal do prêmio ocorre em 11 de novembro de 2026 durante a EuroTier, feira internacional de pecuária realizada em Hannover, na Alemanha.