
A rotina de trabalho na zona rural muitas vezes afasta o produtor dos centros de atendimento médico, tornando hábitos nocivos um problema silencioso ao longo das décadas. No Assentamento Nossa Senhora das Graças, em Ribas do Rio Pardo (MS), o produtor rural Heliton Rodrigues dos Santos vivenciou essa realidade após começar a fumar ainda na infância, aos 11 anos de idade.
O hábito, que teve início como forma de acompanhar as pausas dos colegas de trabalho no campo, estendeu-se por duas décadas. A mudança de trajetória ocorreu a partir da inserção da propriedade no programa Saúde no Campo, iniciativa promovida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar-MS) para levar atendimento preventivo às famílias rurais.
Durante as visitas técnicas periódicas, a equipe de enfermagem identificou alterações clínicas preocupantes no produtor. Os exames de rotina apontaram níveis de oxigenação no sangue gravemente reduzidos, exigindo intervenção imediata para evitar o agravamento de quadros respiratórios crônicos.
Destaque: O acompanhamento presencial do Senar-MS identificou taxas de saturação hídrica e gasosa no sangue em 80%, patamar considerado de risco para a saúde humana.
A abordagem da enfermeira Tathiana Teixeira focou na conscientização gradual sobre o volume diário consumido. Diante da dificuldade do produtor em mensurar a quantidade de cigarros utilizados durante a lida diária, a profissional adotou o monitoramento físico dos resíduos deixados na propriedade.
A contagem sistemática de bitucas serviu como indicador visual para que o produtor compreendesse a dimensão do vício. O processo abriu espaço para compromissos de redução progressiva e levou o trabalhador rural a buscar suporte complementar no Sistema Único de Saúde (SUS), onde iniciou tratamento multidisciplinar com medicamentos, adesivos de nicotina e suporte psicológico.
Destaque: Com a combinação de apoio psicológico e acompanhamento técnico, os índices de saturação de oxigênio do produtor subiram para a faixa entre 94% e 95%.
A decisão definitiva de interromper o consumo veio com o avanço do tratamento terapêutico. O encerramento do hábito trouxe reflexos imediatos na capacidade física do produtor para executar o trabalho no campo, eliminando sintomas de falta de ar e cansaço constante.
O resultado obtido no Assentamento Nossa Senhora das Graças exemplifica o papel dos programas de saúde ocupacional na manutenção da qualidade de vida das famílias rurais. A proximidade dos técnicos com os moradores estabelece vínculos de confiança que ultrapassam a orientação agronômica, atingindo o bem-estar pessoal.
O programa Saúde no Campo mantém atendimento contínuo nas comunidades rurais do estado, integrando diagnósticos rápidos, orientações de prevenção e encaminhamentos para a rede hospitalar dos municípios.
As visitas agendadas pelas equipes do Senar-MS continuam atendendo produtores e trabalhadores rurais em Ribas do Rio Pardo e em outras regiões de Mato Grosso do Sul, garantindo suporte direto a quem vive e produz longe dos centros urbanos.