
A agroindústria familiar sul-mato-grossense alcançou um marco relevante na expansão de novos mercados para derivados do leite. A produtora Jussara Ferreira de Castro Leite, proprietária da Juma Queijos Artesanais, instalada no município de Maracaju, obteve a concessão de seis Selos ARTE. A certificação chancela a qualidade sanitária e a identidade cultural dos alimentos, autorizando a comercialização das mercadorias em todo o território nacional.
O processo de adequação contou com a consultoria continuada do Senar/MS, por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Agroindústria, em uma parceria institucional mantida com a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
A concessão abrange seis itens fabricados na propriedade: doce de leite misto, doce de leite cristalizado, queijo maturado com bocaiúva, manteiga, provolone defumado e requeijão. Com esse resultado, Mato Grosso do Sul atinge a marca de 16 Selos ARTE conquistados com o suporte da equipe técnica do Senar/MS.
Selo ARTE em Mato Grosso do Sul: O estado soma 16 certificações nacionais obtidas por pequenas agroindústrias rurais com o acompanhamento técnico e gerencial do Senar/MS.
A obtenção da chancela federal exige o cumprimento de normas rigorosas de higiene, rastreabilidade e boas práticas de fabricação. A coordenadora da ATeG Agroindústria do Senar/MS, Camila Lima, aponta que o acompanhamento técnico atua tanto no controle dos processos produtivos quanto na estruturação da gestão do negócio.
As orientações abrangem desde os ajustes na infraestrutura da planta até a elaboração de planilhas de custos e rotulagem legal dos produtos. A especialista destaca que o empenho da produtora em aplicar as correções recomendadas foi determinante para agilizar a tramitação dos laudos sanitários junto aos órgãos de fiscalização.
Garantia de origem: A certificação Selo ARTE atesta a qualidade artesanal e permite que produtores rurais comercializem alimentos de origem animal fora do estado de origem.
A trajetória do laticínio artesanal teve início no ambiente doméstico da Fazenda Bandeira, em Maracaju, onde a família produzia queijos para consumo próprio. Formada em Medicina Veterinária, Jussara aprofundou seus conhecimentos técnicos sobre o processamento do leite e passou a aperfeiçoar receitas tradicionais de queijo nozinho.
A transição da atividade informal para a constituição da empresa exigiu capacitação constante por meio de cursos oferecidos pelo Senar/MS e pelo Sindicato Rural de Maracaju. Em 2023, a agroindústria obteve o registro no Serviço de Inspeção Municipal de Maracaju (SIMM), etapa indispensável para a comercialização local.
No ano seguinte, ao ingressar no atendimento da ATeG Agroindústria, o empreendimento recebeu suporte na criação da identidade visual, no redesign das embalagens e no apoio documental necessário para pleitear o Selo ARTE.
O fortalecimento das pequenas agroindústrias do leite atua como um vetor de agregação de valor para a pecuária sul-mato-grossense. A transformação da matéria-prima na própria fazenda permite que os produtores obtenham margens de lucro superiores às oferecidas pela venda do leite in natura para laticínios industriais.
O suporte técnico especializado viabilizou a padronização das receitas e a inclusão de ingredientes regionais, como a bocaiúva, no portfólio da marca. A inovação no uso de frutos nativos do Cerrado reforça a identidade dos produtos artesanais de Mato Grosso do Sul.
Com a emissão dos seis selos, a agroindústria inicia o planejamento logístico para distribuir os laticínios para redes varejistas e empórios gourmet em outros estados brasileiros.