Mercado de milho entra em cenário de maior pressão
Publicado em 21/08/2026 08h15

Mercado de milho entra em cenário de maior pressão

Na Europa, o potencial produtivo também vem sendo pressionado
Por: Leonardo Gottems

O mercado internacional de milho começa a desenhar um cenário mais ajustado para a safra 2026/27, com riscos de oferta em diferentes regiões produtoras e maior atenção à formação dos preços. Segundo Felipe Fuchs, consultor em comercialização estratégica, a combinação entre estoques mais apertados, incertezas climáticas e custos elevados pode criar uma “tempestade perfeita” para o cereal.

Nos Estados Unidos, principal produtor mundial, o estoque final projetado para a próxima safra caiu para 1,653 bilhão de bushels, enquanto o consumo foi elevado para 16,33 bilhões. A relação estoque/uso se aproxima de 10%, em um cenário que ainda considera produtividade de 180,7 bushels por acre, já revisada para baixo na primeira projeção baseada em pesquisa de campo. Novos recuos de produtividade podem reduzir ainda mais a folga no balanço.

Na Europa, o potencial produtivo também vem sendo pressionado por altas temperaturas e déficit hídrico. A COCERAL projeta 52,7 milhões de toneladas para a UE-27 mais Reino Unido, abaixo das 57,4 milhões de toneladas do ciclo anterior. Com menor oferta em regiões relevantes, cresce a dependência dos países exportadores capazes de compensar essa redução.

Nesse contexto, o Brasil ganha peso no abastecimento mundial. A projeção para 2026/27 é de 139 milhões de toneladas, praticamente estável ante a temporada anterior, mas os custos de produção seguem elevados. O possível retorno do El Niño também amplia a preocupação com a janela de plantio da soja e, por consequência, com o milho segunda safra.

Para o produtor, o cenário exige atenção à construção do prêmio de risco. Uma eventual valorização do milho pode representar não apenas uma oportunidade de preço, mas a diferença entre uma margem comprimida e uma margem mais atrativa no próximo ciclo.