Estudo em 42 rios revela que remédios superam defensivos na água
Publicado em 12/08/2026 10h40

Estudo em 42 rios revela que remédios superam defensivos na água

Levantamento apresentado no Sindiveg aponta o agro com superávit de US$ 140 bi e avanço na geração de energia renovável.
Por: Wisley Torales

A contribuição do agronegócio para a estabilidade da economia brasileira manifesta-se com clareza nos indicadores da balança comercial e na sustentação de divisas externas. Levantamento apresentado durante encontro técnico promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) destaca a disparidade entre o desempenho do setor produtivo rural e os demais segmentos da atividade econômica nacional.

Enquanto os setores industriais e de serviços acumularam saldos negativos relevantes no comércio exterior nas últimas duas décadas, as cadeias do agronegócio geraram um superávit superior a US$ 140 bilhões em um único exercício. Essa entrada de recursos financeiros garante o equilíbrio das contas públicas e protege o país contra oscilações cambiais extremas.

O financiamento privado das operações agrícolas evoluiu em paralelo à menor dependência de aportes estatais. O modelo de crédito comercial mantido pelas indústrias e distribuidoras de insumos injeta dezenas de bilhões de reais por ano na antecipação de custeio, garantindo a compra de sementes e fertilizantes com prazos médios de pagamento alinhados ao calendário da colheita.

Sustentação financeira: O saldo comercial positivo gerado pelas exportações agropecuárias supera US$ 140 bilhões, compensando o déficit acumulado pelos demais setores industriais.

Liderança na matriz de bioenergia e biomassa

A relevância do campo estende-se ao fornecimento de energia limpa para a matriz nacional, superando a contribuição de fontes tradicionais como as usinas hidrelétricas. O aproveitamento do bagaço de cana-de-açúcar, do etanol, do licor negro da indústria de celulose e do cavaco de eucalipto responde por mais de 50% de toda a energia renovável consumida no território brasileiro.

A queima de resíduos da biomassa de cana e a co-geração elétrica nas usinas representam cerca de 11% da energia disponível na rede, superando a cota de produção hídrica e garantindo estabilidade ao sistema durante os meses de estiagem no Centro-Sul. O cultivo de florestas plantadas de eucalipto para celulose e lenha industrial contribui com outros 12% da oferta energética do país.

A consolidação do milho de segunda safra impulsiona também a expansão do etanol de cereais no Centro-Oeste, gerando coprodutos de alto valor nutricional para a pecuária de corte e leite, como o DDG, em um modelo integrado de economia circular.

Matriz renovável: A biomassa da cana e das florestas plantadas de eucalipto responde por parcela superior à da geração hidrelétrica na matriz energética nacional.

Sanidade dos grãos e monitoramento de mananciais

A utilização de tecnologias de proteção de cultivos desempenha um papel centrado na preservação da saúde pública e na prevenção de contaminações por fungos e toxinas biológicas. A ausência de controle fitossanitário em lavouras de milho, trigo e cevada favorece o desenvolvimento de fungos necrotróficos produtores de micotoxinas, a exemplo da ocratoxina e da vomitoxina (deoxynivalenol), compostos altamente nocivos à saúde humana e animal.

O monitoramento contínuo de recursos hídricos conduzido por equipes acadêmicas em 42 pontos de coleta ao longo de seis anos revela que a presença de resíduos de defensivos em mananciais agrícolas permanece em níveis insignificantes em relação aos parâmetros de risco crônico. Os métodos analíticos modernos, capazes de detectar traços na ordem de partes por trilhão, identificam a predominância de contaminantes urbanos nos rios.

Substâncias de uso farmacêutico e industrial, como o anti-hipertensivo losartana, a cafeína, o bisfenol vindo de plásticos e o nonilfenol de detergentes industriais, apresentam frequências de detecção e índices de risco aquático superiores aos registrados para moléculas agrícolas.

A consolidação de programas de monitoramento contínuo e a criação de bancos de amostras preservadas garantem a transparência necessária para avaliar a qualidade da água e orientar o uso responsável dos insumos no campo.