
Da intenção à infraestrutura corporativa
Adoro um bom e bem estruturado desafio, daqueles que precisam de estratégia para se desvendar. E sabendo disso, meu irmão de coração, Nihad Bassis, Ceo da Cognus Lab, de Miami/USA, me enviou as novas alterações e novidades da ISO IWA 48 com um pedido singelo: “Sugiro fazer um artigo da sua análise sobre a norma! Benefícios, praticidade, pontos não abordados, etc...”. Foram 3 semanas mergulhada nas novas implicações da norma no dia a dia do ESG. E depois de muito estudo, indagações e testes criando cenários a partir de Cases já existentes e outros que inventei só para me divertir com a análise dos resultados. Enquanto outros artigos foram sendo publicados... eu fiz uma imersão além da conta...
Nihad sabe que não sigo a lógica linear comum! E acredito que seja por isso que me deu essa ‘missão’. Como eu poderia negar ‘fogo’ a essa ‘incitação’ !?!? Como!!! Óbvio....que ele fez de caso ‘pensado’. (kkkkkkkk)
Enquanto estudava, ria sozinha imaginando-o curioso sobre qual será a minha visão – criativa - sobre todas as mudanças e aplicações da nova versão da ISO IWA 48. Entenda... É, porque, essa resolução é uma ‘enciclopédia’ inteira. Para quem não me conhece, isso pode parecer estranho. Mas, quem já é meu leitor ou cliente, consegue perceber que - ‘tirar leite de pedra’; ou ‘de ter saídas nada ortodoxas’ (mas dentro da regra), não é um problema para minha mente com ‘propulsão de foguete’. Não que eu seja muito diferente de você, mas, comum... isso, com certeza, não sou, gosto de dar uma ‘complicadinha’ antes de simplificar. Se é bom ou ruim, daí você, meu querido leitor, faça sua própria análise. Mas é um traço marcante que o meu autismo me confere.
E vamos, então, escalar essa ‘Torre de Babel’...que meu mano Nihad me deu de presente...
O mercado corporativo padece de uma obsessão - quase patológica - por certidões. Fato. E na mesma ‘régua’, durante os últimos 10 anos, a sigla ESG foi sequestrada por uma lógica puramente cosmética, operando sob a máxima de que "quem não é visto, não é lembrado". E o resultado foi uma profusão de relatórios de sustentabilidade diagramados como peças de publicidade, repletos de promessas muito mais ‘poéticas’ do que com lastro realista. Mas, agora, o jogo muda de patamar. A publicação internacional da ISO IWA 48 (com sua recente nacionalização como ABNT ISO IWA 48) surge, justamente, para desatar esse nó regulatório e operacional.
A proposta da IWA 48 não é introduzir mais um questionário ou substituir frameworks consolidados de reporte, mas, atuar como uma META-ESTRUTURA. E o que seria isso, exatamente???
Ela estabelece as diretrizes de governança interna para que as organizações parem de – apenas - relatar e comecem, efetivamente (na prática), a gerenciar seus impactos ambientais, sociais e éticos. Em muitos artigos anteriores, defendi que o ESG só se justifica se for encarado como um Sistema de Mitigação de Riscos e Geração de Valor a longo prazo, e nunca como um departamento (ou ações) isolados de "Relações Públicas Verdes", apenas para estar na ‘modinha woke’ de hoje que se perdeu da sua origem histórica da década de 60.
A primeira análise crítica que faço da norma revela uma encruzilhada metodológica dividida entre os Prós evidentes, os Contras estruturais e uma - urgente terceira via - de Interpretação e de Prática. Montei o quadro abaixo para ficar mais fácil você entender a Anatomia (da minha) Crítica – construtiva - da ISO IWA 48:
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MATRIZ DE DISRUPÇÃO DA ISO IWA |
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PROS (Operacionalização, a Prática) |
- Transforma o ESG de "narrativa" para "sistema". - Harmoniza dados usando a lógica de dupla materialidade. Priorização de KPIs. |
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CONTRAS (que são os Pontos Cegos que vejo) |
- Ignora a geopolítica Global - Centraliza métricas ‘egocêntricas’ - Terceiriza a ética básica. |
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A TERCEIRA VIA (Solução) que vejo como muito viável
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Enxergar a norma não como um selo de santidade, mas como uma infraestrutura de defesa jurídica e resiliência operacional adaptada ao território. |
SOBRE OS PRÓS: O Fim do ‘Esoterismo’ Corporativo
O maior mérito da ISO IWA 48 reside na sua capacidade de sistematizar o intangível ao estruturar os seis princípios básicos: integridade, foco em resultados, equidade, integração de riscos/oportunidades, decisões baseadas em evidências e maturidade contínua. Assim, a aplicação da norma, força a alta liderança e seus Conselhos a assumirem a responsabilidade fiduciária pela agenda sustentável. E não mais o 2º escalão apenas. Passa a ter caráter estratégico – DE FATO – com aportes e reportes REAIS. Mas vamos entender mais a fundo...
Praticidade de Transição: A norma organiza os Indicadores-Chave de Desempenho em duas frentes inteligentes: os KPIs de Primeira Prioridade (métricas universais e imediatamente acionáveis, como o percentual de energia limpa na matriz direta) e os KPIs de Segunda Prioridade (métricas aspiracionais voltadas à cadeia de suprimentos e à governança 360°).
Inter-operabilidade Real: Ela atua como um tradutor universal, permitindo que empresas que já utilizam ISO 9001 ou ISO 14001 unifiquem seus processos sem precisar desmontar o que já funciona. Ou seja, ela usa de inteligência no processo, pois transforma o relatório em consequência de uma governança madura, e não em seu ponto de partida.
OS CONTRAS: Os Pontos Não Abordados e seus Riscos
Se por um lado a norma organiza a casa, por outro, percebi que ela silencia diante de complexidades estruturais que venho apontando ao longo da minha jornada analítica sobre a aplicação do ESG. A IWA 48 se propõe a ser universal, mas a universalidade técnica costuma ignorar as assimetrias regionais. E isso, na minha experiência, acaba por criar ‘gargalos’ desnecessários e estress na continuidade. E, por quê? Trago dois pontos para você ponderar...
1º GARGALO - A Miopia Global - A norma trata de forma idêntica uma multinacional europeia, altamente subsidiada e uma empresa de médio porte no interior do Brasil, que enfrenta gargalos crônicos de infraestrutura logística e tributária. A exigência de dados científicos e evidências auditáveis baseadas na ISO 17029 (ou ABNT NBR ISO/IEC 17029) pode criar barreiras de mercado intransponíveis para fornecedores menores, forçando um tipo de ‘higienização da cadeia produtiva’, em vez de sua real inclusão.
2º GARGALO - A Terceirização da Ética - A norma foca – excessivamente - no método (de como medir) e ignora a substância (ou seja, sobre o quê está sendo tolerado). Uma organização pode possuir uma matriz de dupla materialidade, perfeitamente, auditada de acordo com as regras da norma e, ainda assim, operar em setores de externalidades intrinsecamente destrutivas, operando o que chamo de "Compliance de Fachada Perfeita". Ela peca ao não endereçar a transição dos modelos de negócios já obsoletos.
A TERCEIRA VIA: O ESG como infraestrutura de defesa e resiliência
Superando a dicotomia rasa entre os defensores ferrenhos da padronização e os céticos que enxergam o ESG apenas como burocracia ideológica, entendo que há uma TERCEIRA VIA de entendimento.
Para profissionais e empresas, a IWA 48 não deve ser encarada como um ‘selo de santidade corporativa’ ou um manual de virtudes. Ela deve ser interpretada como uma infraestrutura técnica de defesa jurídica e resiliência de capital. A terceira via que enxergo, compreende que os fatores socioambientais são passivos econômicos e operacionais disfarçados. Essa é a ‘pegadinha’ e a solução, ao mesmo tempo.
Ao utilizar a lógica de maturidade da norma, o gestor inteligente não busca "salvar o planeta" por meio de relatórios bonitos; ele utiliza a engenharia reversa da norma para blindar o fluxo de caixa contra litígios climáticos, rupturas na cadeia de valor por eventos extremos e o encarecimento severo do crédito bancário global. O ESG deixa de ser um "gasto ético" e passa a ser reconhecido como uma arquitetura de sobrevivência de mercado.
ASSIMETRIA SETORIAL: quem navega com vento a favor e quem bate no muro
Entendo que há decisões que não estarão na pauta das escolhas. E que serão mais como: ‘você tem condições’ ou ‘você não consegue realizar’. Enxergo que... a aplicabilidade prática da ISO IWA 48 dividirá o mercado como uma ‘navalha’, beneficiando setores intensivos em processos e penalizando aqueles cuja, a informalidade ou a capilaridade da cadeia de valor, escapam ao controle centralizado. E isso me parece ser – ao mesmo tempo – Negativo e Positivo. E não estou ‘em cima do muro’, estou constatando a realidade. Ou seja, a depender da intencionalidade das empresas, elas poderão encontrar Cenários de Oportunidades. Caso contrário...dai, só ladeira abaixo, mas em ‘câmera lenta’, o que é muito pior do que abrupto neste caso, pois, ao perceberem que a queda é uma realidade, não haverá tempo nem recursos para o ajuste.
Por isso, trago um panorama setorial geral, para você conseguir enxergar as diferenciações e impacto da Norma na prática... 😊
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SETORES COM FACILIDADE DE IMPLEMENTAÇÃO |
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SETORES BENEFICIADOS |
FATORES DE FACILITAÇÃO PRÁTICA (ISO IWA 48) |
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Manufatura Industrial de Grande Porte |
Já operam sob a cultura rígida das ISOs 9001 e 14001; sensores e telemetria facilitam a coleta de evidências |
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Setor Financeiro e Mercado de Capitais |
Cultura nativa de matrizes de risco, compliance regulatório e auditorias externas contínuas. |
1 - Manufatura Industrial de Grande Porte: Setores como o automotivo, químico e metalúrgico já possuem a cultura de processos no seu DNA. Para uma fábrica que já responde à ISO 14001 (Gestão Ambiental) e à ISO 45001 (Saúde e Segurança), integrar a IWA 48 é um passo quase burocrático. A coleta de dados — como o cálculo exato do descarte de efluentes ou o inventário de emissões de escopo 1 — já está automatizada por sensores e sistemas ERP de chão de fábrica, facilitando a tomada de decisão baseada em evidências.
2 - Setor Financeiro e Mercado de Capitais: Bancos e seguradoras possuem facilidade nativa por operarem – tradicionalmente - sob rédeas regulatórias rígidas e auditorias constantes. A transposição dos critérios de governança (G) e riscos integrados exigidos pela IWA 48 já se alinha com as estruturas de compliance que essas instituições mantêm para mitigar riscos de crédito e fraudes, tornando a implementação fluida e incremental.
>>> IMPORTANTE: O gargalo maior desses setores é a Gestão de Pessoas: o 1º por escassez de profissionais; e o 2º pela alta competitividade incentivada que gera conflitos e competições desnecessários. E isso cria um Turnover alto e uma escalada de processos trabalhistas e de assédio.
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SETORES COM SEVERAS DIFICULDADES DE IMPLEMENTAÇÃO |
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SETORES DESAFIADOS |
Gargalos Críticos de Implementação (ISO IWA 48) |
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Cadeia do Agronegócio (agricultura, pecuária e agroindústrias) |
Rastreabilidade complexa de múltiplos biomas; controle de impactos indiretos (Escopo 3) ao longo da cadeia. |
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Construção Civil e Infraestrutura Urbana |
Alta rotatividade de mão de obra terceirizada; pulverização de fornecedores locais e informais. |
Agronegócio (Cadeias de Grande, Médio e Pequeno porte): Embora o topo da pirâmide do ‘Agroexportador’ possua alta tecnologia; o setor enfrenta um pesadelo técnico na aplicação prática do pilar Social (S) e na Governança da Cadeia de Valor (Escopo 3), de acordo com os critérios da norma. Rastrear as práticas trabalhistas e o passivo ambiental de fornecedores indiretos de gado ou grãos, em regiões remotas, exige uma infraestrutura de dados que a norma pressupõe existir, mas que a realidade do campo muitas vezes nega. A "equidade" e a "evidência científica" exigidas pela IWA 48 esbarram na barreira da informalidade regional ou da própria falta de infraestrutura.
>> Mas no caso do AGRO, preciso ser mais específica. Este Setor é um dos mais especializados do Brasil. Diria até que seja um dos nossos “Tesouros Material e imaterial”. O nível do Agro brasileiro, dos seus processos, é um dos Melhores do Mundo. Principalmente pela prática do Plantio Direto dentro do Modelo de Agricultura regenerativa.
Construção Civil e Infraestrutura: Caracterizado por uma cadeia de suprimentos brutalmente pulverizada e pelo uso intensivo de mão de obra terceirizada e quarteirizada, este setor sofrerá para atingir os níveis de maturidade exigidos. Garantir a rastreabilidade ética dos agregados da construção (areia, brita) comprados de pequenos fornecedores locais, além de documentar a conformidade de segurança laboral em canteiros de obras rotativos, torna o compliance da IWA 48 um exercício hercúleo (de difícil execução) e financeiramente oneroso para as margens espremidas do setor.
O CAMINHO PRÁTICO: Mini-Modelo ágil de transição
Não se implementa a IWA 48 com calhamaços de papel que morrem na gaveta. Esse é o grande desafio de todo o processo. Empresas de qualquer segmento que desejam migrar para esse novo ecossistema normativo, precisam adotar uma abordagem dinâmica levando em conta sua capacidade executiva e de pessoal, mas sempre levando em conta sua estrutura operacional. ‘Ordem’ que desce para execução tem que ter o plano A, B, C...e a ‘chave’ da ‘porta dos fundos’.
Assim, se garante rapidez no redesenho da GOVERNANÇA, sugiro fatiar em "Drops" a execução, mitigando a paralisia por análises longas que se perdem da execução prática. Veja o esquema que montei para facilitar a execução, usando a Lógica do Planejamento Estratégico Ágil, onde levei em conta a aplicabilidade em empresas de todos os portes:
DROP 1: Raio-X ──> DROP 2: Calibragem ──> DROP 3: Governança Viva
ü DROP 1 – Sprint Diagnóstico (Semanas 1 a 4): Identificação e mapeamento dos pontos de intersecção onde a operação já encosta nos requisitos da norma (aproveitando heranças de outras ISOs). O objetivo aqui é o inventário ágil e a descoberta do ponto zero de dados.
ü DROP 2 – Calibragem e MVP de KPIs (Semanas 4 a 8): Ativação imediata das métricas cruciais de sobrevivência. É o momento de estabelecer as esteiras automatizadas de coleta de evidências sem desenhar fluxos burocráticos complexos.
ü DROP 3 – Governança Viva e Auditoria Interna (Semanas 7 a 12): Integração dos comitês táticos ao comitê de riscos e consolidação dos mecanismos de tomada de decisão. O processo é testado em ciclos curtos, preparando o terreno para a verificação independente.
Nota de advertência: O perigo real não reside nas doze semanas iniciais, mas no método de customização dessa engrenagem. Sem a calibração cirúrgica dos rituais ágeis ao contexto de cada CNPJ, o modelo colapsa sob o peso do retrabalho.
O MOTOR DA NORMA: A engenharia da dupla materialidade
O coração metodológico que pulsa sob a ABNT ISO IWA 48 é o conceito de Dupla Materialidade. Ignorar este mecanismo é o caminho mais rápido para ver a auditoria naufragar. Trata-se do cruzamento indissociável de duas perspectivas de impacto de qualquer negócio:
- Materialidade de Impacto (De dentro para fora): Como as atividades e decisões diárias da sua empresa afetam a sociedade, os ecossistemas e a economia local (ex: a contaminação oculta de um aquífero por descarte de resíduos).
- Materialidade Financeira (De fora para dentro): Como as tendências ecológicas, sociais e de governança externa afetam as finanças, os ativos e o fluxo de caixa do seu negócio (ex.: o aumento severo nas apólices de seguro devido a inundações frequentes do centro de distribuição).
Ou seja, na prática, estruturar essa matriz exige técnicas avançadas de escuta de STAKEHOLDERS correlacionadas a análises estatísticas de risco financeiro. E, por quê!? Justamente é onde – no DETALHE – que ‘mora o diabo’... Criei duas simulações de cenários para você visualizar na prática:
CENÁRIO 1: Uma empresa de logística não pode focar apenas em emitir menos CO₂ por "consciência ambiental" (Impacto). Ela precisa calcular como a taxação de carbono na sua rota principal pode inviabilizar suas margens de lucro em três anos (Financeira).
CENÁRIO 2: Uma rede hospitalar que negligencia o descarte de resíduos infectantes corre o risco de sofrer severas sanções ambientais que podem paralisar a ampliação de leitos e secam as linhas de crédito bancárias.
CUIDADO: Identificar o ponto exato onde o dano ambiental se transforma em um ralo financeiro é uma ciência gerencial e executiva. O mapeamento superficial gera falsas matrizes que não resistem ao primeiro crivo de uma auditoria séria.
DESENHO TÁTICO DE INDICADORES: KPIs Gerais X KPIs Setoriais
A IWA 48 não tolera o preenchimento de relatórios com dados subjetivos. É fundamental cindir (ou seja, entender a necessidade e cortar, dividir ou separar) os indicadores de sobrevivência corporativa (aplicáveis a todo e qualquer negócio) daqueles específicos da natureza produtiva industrial ou de serviços (de manufatura) de cada segmento.
KPIs de Primeira Prioridade Básicos (Universais)
ENTENDA QUE... Independentemente de você gerenciar uma startup de tecnologia ou uma rede de farmácias, estes indicadores universais devem estar consolidados. Pois, são viáveis para qualquer operação:
KPIs Diferenciados por Segmento de Mercado (trago uma ideia desse cenário)
Para além do básico, a nova versão da norma exige a descida ao detalhe técnico do negócio. É nesse momento que você deve ‘abrir’ tudo que incide do operacional, estrutural e estratégico. Para você conseguir visualizar COMO a sofisticação das métricas se COMPORTA, trouxe um pequeno ‘mapa’ de quatro setores distintos, mas que podem ser parametrizáveis a qualquer segmento:
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (SaaS & Datacenters)
ü Métrica Setorial: Eficiência no Uso de Energia (PUE - Power Usage Effectiveness).
ü O que avalia: A infraestrutura de nuvem oculta sob os softwares. O foco muda do papel para a pegada termodinâmica real dos servidores de processamento e inteligência artificial.
VAREJO E E-COMMERCE DE MODA
ü Métrica Setorial: Rastreabilidade de Origem Têxtil em Nível Tier 3.
ü O que avalia: A profundidade da cadeia produtiva. Mede a porcentagem da matéria-prima que possui certificação social e ambiental auditável desde a colheita do algodão até a confecção final.
LOGÍSTICA E TRANSPORTE DE CARGAS
ü Métrica Setorial: Eficiência de Emissões por Tonelada-Quilômetro Utilizado (gCO₂eq / tkm).
ü O que avalia: A inteligência da malha de frotas. Não basta monitorar o combustível total gasto; avalia-se o impacto real gerado para cada unidade de carga movimentada geograficamente.
SAÚDE SUPLEMENTAR E HOSPITAIS
ü Métrica Setorial: Índice de Circularidade de Resíduos Hospitalares de Classe A e B.
ü O que avalia: A gestão de perigos biológicos. Mede o volume exato de descarte tratado e neutralizado antes da destinação final, mitigando passivos de contaminação urbana.
E QUAL O VEREDITO OPERACIONAL?
A ABNT ISO IWA 48 não deve ser vista como uma tábua de salvação ética e nem como um inimigo burocrático. Ela é o esqueleto técnico de uma nova era corporativa, onde, a checagem de fatos substitui a ‘eloquência criativa’ dos discursos institucionais.
A verdade incômoda é que as ferramentas públicas de prateleira apenas arranham a superfície da norma. O verdadeiro desafio não está em compreender o texto legal da IWA 48, mas em saber exatamente como calibrar os pesos das matrizes, para conseguir automatizar a coleta dos KPIs de primeira prioridade e desenhar um plano de transição ágil que não asfixie o fluxo de caixa do seu negócio. Na minha visão... as empresas que insistirem no amadorismo metodológico serão - impiedosamente - expostas pelas novas regras do mercado.
Minha humilde sugestão... FAÇA SEMPRE ESSAS 2 PERGUNTAS:
A minha empresa está, verdadeiramente, preparada para enfrentar os rigorosos critérios de evidência científica exigidos pela ISO IWA 48?
A minha operação ainda depende de relatórios baseados em planilhas manuais e narrativas institucionais?
Se você deseja blindar o seu negócio contra passivos regulatórios e estruturar uma arquitetura de governança inabalável(ou muito perto disso), seja sincero com seu negócio. Tudo que trouxe será ‘ficção-científica’ na melhor versão de Star Trek ou de Star Wars. Uma saga, se continuar no mesmo ‘Modis Operandi’. Como de praxe... deixo para você refletir, uma frase final. Dessa vez, trago uma do Mestre Yoda para Luke Skywalker, do episódio V, de O Império Contra-Ataca (1980):
"Do or do not. There is no try." ("Faça ou não faça. Não existe tentar.")
Por que escolhi essa frase? Durante o treinamento de Luke, Yoda ensina que não basta e não existe “tentar” — é preciso assumir a responsabilidade e agir com convicção. Ou seja, é preciso transformar intenção em infraestrutura, narrativa em sistema, discurso em prática. Assim, como Yoda desafia Luke a acreditar e executar; eu desafio você a abandonar o “compliance de fachada” e adotar o ESG como Arquitetura de Sobrevivência Corporativa.
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KÁTYA DESESSARDS | Conselheira e Mentora em ESG e Comunicação Estratégica. Integra o Institute On Life e a Consultoria Vantwork - Co-Autora no livro: Gestão! Como Evoluir em uma Nova Realidade? Experiência de 28 anos em diversos setores do mercado. | Quer Saber Mais? CLICK AQUI
Dúvidas & Sugestões sobre ESG: katya.desessards@instituteon.life