
A solenidade de abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA) reuniu autoridades governamentais, parlamentares e lideranças empresariais nesta segunda-feira (10 de agosto), em São Paulo. O encontro, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em parceria com a B3, adotou como tema central "Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil". Os debates concentraram-se na necessidade de instituir uma Política de Estado de longo prazo para proteger a competitividade das cadeias produtivas no comércio internacional.
O marco de 25 anos do evento serviu de cenário para a entrega da "Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira" ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. O documento sintetiza o mapeamento de mais de 80 fatores determinantes para o setor, ranqueados por urgência, impacto e prazo de implementação. A proposta busca estruturar diretrizes permanentes que independam de trocas de governo.
O presidente da ABAG, Ingo Plöger, salientou que a agropecuária nacional atingiu maturidade operacional e precisa avançar na formulação das normas do comércio internacional. A meta consiste em agregar valor às matérias-primas e assegurar a inserção do país nos acordos de descarbonização e transição energética.
Agenda para o futuro: O estudo entregue ao governo federal mapeou mais de 80 diretrizes prioritárias com o objetivo de transformar o agronegócio em uma política permanente de Estado.
Ao receber o documento, Geraldo Alckmin apontou que a taxa de expansão das safras posiciona o Brasil para assumir o posto de maior exportador global de alimentos. Durante seu pronunciamento, o vice-presidente mencionou os desdobramentos de tratados comerciais, ressaltando que o acordo entre União Europeia e Mercosul gerou uma elevação de 4% nos embarques sul-americanos nos primeiros 60 dias de aplicação.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, apresentou os números mais recentes da diplomacia sanitária brasileira. Conforme o ministro, o país viabilizou a abertura de 674 novos mercados para os produtos agropecuários nacionais, projetando ultrapassar a marca de 700 habilitações internacionais até o encerramento deste ano.
A segurança jurídica e a estabilidade regulatória também pautaram as manifestações do Legislativo. A senadora Tereza Cristina e o deputado federal Arnaldo Jardim ressaltaram que a consolidação de políticas de Estado garante previsibilidade aos investimentos no campo, assegurando o papel do Brasil na segurança alimentar e energética global.
Avanço no comércio exterior: As negociações bilaterais garantiram a abertura de 674 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com meta de superar 700 até o fim do ano.
O financiamento da produção e a atração de capital privado ocuparam espaço de destaque no evento. O vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão, apresentou o balanço das emissões de títulos do agronegócio registrados na bolsa do Brasil até o mês de junho. Os dados demonstram o peso do mercado financeiro no custeio das safras.
O volume de Cédulas de Produto Rural (CPR) registradas alcançou R$ 470 bilhões, enquanto o estoque de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) atingiu R$ 560 bilhões. As emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) somaram R$ 170 bilhões, e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ultrapassaram R$ 30 bilhões.
Masagão alertou para a urgência de construir mecanismos próprios de formação de preços para as commodities produzidas no país. A dependência direta de bolsas estrangeiras, como a de Chicago, eleva a exposição dos produtores às oscilações cambiais e especulativas, exigindo o aprimoramento de ferramentas de proteção de preços (hedge) liquidadas em moeda nacional.
A cerimônia de abertura reuniu também o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho; o presidente da SNA, Antonio Alvarenga Neto; a presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza; o presidente do Sistema FAESP/SENAR, Tirso Meirelles; a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; e a presidente do IPA, Tania Zanella.