
O agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou um desempenho expressivo no comércio exterior ao longo dos primeiros seis meses de 2026. Entre os meses de janeiro e junho, o setor gerou uma receita de US$ 5,68 bilhões com os embarques internacionais, o que representa uma expansão de 12,4% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Em termos de volume, as agroindústrias e propriedades do estado enviaram 10,15 milhões de toneladas de produtos ao exterior, estabelecendo uma alta de 7,9%.
A relevância do segmento na balança comercial sul-mato-grossense permanece absoluta, sendo responsável por aproximadamente 96% de todas as divisas geradas com exportações no estado durante o período. A movimentação positiva ganha destaque ao ser observada em meio a um cenário de forte compressão nas margens operacionais do campo brasileiro.
No plano nacional, o primeiro trimestre de 2026 indicou uma retração de 2,01% no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, segundo levantamento conjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Cepea/Esalq-USP. O recuo foi puxado pela atividade agrícola, que encolheu 3,62% sob o impacto direto da desvalorização das commodities no mercado global.
Representatividade no comércio exterior: O agronegócio respondeu por 96% de todo o volume financeiro exportado por Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026, somando US$ 5,68 bilhões.
A cultura da soja permaneceu como o principal motor do faturamento externo do estado. As vendas do grão renderam US$ 1,98 bilhão no primeiro semestre, valor 30,5% superior ao contabilizado no mesmo período do ano anterior. Esse montante garantiu à oleaginosa uma fatia de 34,8% em toda a receita de exportação do agronegócio estadual, amparada por um crescimento de 21,4% no volume físico embarcado.
O desempenho do complexo soja reflete o salto de produtividade colhido nos campos locais. Na safra 2025/26, a produção sul-mato-grossense do grão alcançou 16,744 milhões de toneladas, marca que supera em 19% o ciclo passado. A produtividade média atingiu 60,4 sacas por hectare, indicando uma evolução de 16,5%, enquanto a área plantada registrou expansão modesta de 2,1%.
A realidade do estado contrasta com os gargalos enfrentados no restante do país. Embora a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reporte um aumento de 5,3% na colheita nacional de soja, as projeções da CNA e do Cepea apontam uma queda de 9,18% nas cotações médias recebidas pelos produtores, resultando em uma retração de 4,60% no Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura no Brasil.
O segmento de carne bovina também registrou forte ritmo de embarques a partir dos frigoríficos instalados em Mato Grosso do Sul. As vendas da proteína para o mercado internacional totalizaram US$ 1,17 bilhão entre janeiro e junho de 2026, avanço de 47,9% em faturamento e de 23,4% em volume. O resultado garantiu à carne bovina uma participação de 20,6% na pauta exportadora do setor no estado.
A elevação nas receitas com a proteína ocorreu mesmo diante de um recuo pontual no ritmo do processamento industrial. O volume de bovinos abatidos nas plantas sul-mato-grossenses passou de 2,12 milhões para 2,09 milhões de cabeças no período, o que representa uma queda de 1,6%. No cenário nacional, a pecuária de corte figurou como o único ramo animal acompanhado pela CNA e pelo Cepea a registrar alta no VBP, com valorização de 3,49% motivada pela demanda externa aquecida.
Destaque na pecuária: A carne bovina rendeu US$ 1,17 bilhão em exportações no primeiro semestre, apresentando crescimento de 47,9% em receita mesmo com queda de 1,6% no abate de lotes.
A diversificação do perfil produtivo do estado manifestou-se na expansão da indústria de biocombustíveis. A produção total de etanol em Mato Grosso do Sul deve atingir a marca de 4,93 bilhões de litros na safra 2025/26, um crescimento acumulado de 12% em comparação ao ciclo anterior.
O avanço da atividade apoia-se no dinamismo do processamento de milho, cuja produção de etanol deve crescer 33,9% no estado, saltando de 1,59 bilhão para 2,13 bilhões de litros. Em contrapartida, a fabricação de biocombustível a partir da cana-de-açúcar projeta estabilidade com pequena variação de -0,33%. Em âmbito nacional, o segmento de biocombustíveis estima alta de 9,67% no valor de produção e aumento de 8,49% no volume fabricado.