O mercado global de laticínios acompanha com atenção o comportamento da oferta nos Estados Unidos, onde o volume de captação consolida um ritmo de expansão contínuo ao longo de 2026. Mesmo enfrentando episódios de calor intenso em importantes regiões produtoras, os quais afetaram temporariamente o rendimento por animal e a concentração de sólidos na matéria-prima, o país manteve a curva de crescimento produtivo acima dos patamares registrados no ano anterior.
Os dados oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que a produção de leite em junho alcançou 19,7 milhões de libras, volume que representa uma expansão de 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. Esse resultado reflete o aumento no tamanho do rebanho de vacas em ordenha e os ganhos de eficiência operacional nas fazendas do país.
No balanço do primeiro semestre, o volume acumulado pelos pecuaristas norte-americanos atingiu 118,8 milhões de libras, sustentando uma alta de 2,7% frente a igual período do ciclo passado. Os relatórios do órgão governamental apontam que todos os meses do primeiro semestre apresentaram avanços superiores a 2,1% em relação aos valores registrados em 2025.
Expansão na captação: O volume de leite produzido nos Estados Unidos cresceu 2,7% no primeiro semestre de 2026, impulsionado pelo incremento no plantel de matrizes e pelo ganho de produtividade individual por vaca.
Essa abundância na captação de leite cru desdobrou-se em dinâmicas distintas para os derivados lácteos no mercado físico e nas cotações globais. O leite em pó desnatado permaneceu sob pressão negativa, decorrente da demanda doméstica que se manteve estável e do ritmo lento das compras externas, embora o apetite dos importadores comece a dar sinais graduais de recuperação nas últimas semanas.
A disponibilidade do produto apresentou comportamento heterogêneo entre as indústrias de processamento. Enquanto algumas unidades relatam estoques enxutos, outras lançaram lotes sobressalentes de leite spot no mercado, concentrando a produção na versão de tratamento térmico baixo a médio. Esse movimento restringiu a oferta das opções de tratamento térmico elevado, que mesmo com volumes limitados, acompanharam a trajetória geral de baixa dos preços.
Em contrapartida, os concentrados proteicos do soro de leite registraram valorizações nas tabelas de negociação. As indústrias secadoras direcionaram sua capacidade operacional para itens de maior valor agregado, como os isolados proteicos e os concentrados a 80%, visando atender à demanda dos consumidores por produtos nutricionais.
Foco na alta proteína: A priorização das indústrias por concentrados proteicos de 80% gerou escassez na oferta de insumos com menor teor proteico, sustentando cotações elevadas para o soro em pó no mercado externo.
O preço da manteiga negociado na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CME) recuou para os patamares mais baixos observados desde meados de janeiro. A fabricação do item manteve-se constante para suprir um consumo interno sem grandes oscilações, enquanto os embarques para o exterior mantiveram ritmo forte devido à competitividade do produto norte-americano frente aos concorrentes europeus e oceânicos.
Para o queijo cheddar na CME, o mercado exibiu oscilações mistas entre as praças. A fabricação no Meio-Oeste enfrentou limitações pelo menor volume de leite de Classe III disponível para o processamento, ao passo que as instalações localizadas na Costa Oeste operaram com abastecimento regular de matéria-prima.
A conjuntura do setor ganhou contornos de incerteza após o anúncio, feito pelo governo norte-americano no dia 20 de julho, sobre a aplicação de tarifas adicionais de 50% sobre determinadas importações canadenses. O setor lácteo dos Estados Unidos manifestou apoio à medida tarifária, solicitando que o Canadá cumpra integralmente os compromissos assumidos no acordo USMCA e elimine barreiras que restringem o acesso dos produtos norte-americanos ao mercado vizinho.