A valorização recente da soja abriu uma janela para produtores que já definiram os custos da próxima safra e ainda não fixaram parte da receita. Segundo Felipe Fuchs, consultor em comercialização estratégica, a oleaginosa chegou a US$ 12,37 em Chicago, o maior nível em nove semanas, criando uma oportunidade para avaliar margens.
Para quem já comprou os insumos da safra 2026/27, o custo de produção por saca está definido. A principal variável em aberto passa a ser o preço de venda, hoje em patamar favorável. A orientação é comparar o custo contratado com a cotação atual e o câmbio do dia, para verificar se a margem atende ao resultado aceitável.
O avanço das cotações foi relacionado à retomada das compras da China e ao prêmio climático no Corn Belt dos Estados Unidos. Esses fatores podem perder força, o que reforça a importância de transformar parte da valorização em margem efetiva.
A estratégia não é vender toda a produção de uma vez, mas fixar um volume suficiente para cobrir os custos comprometidos e garantir rentabilidade. A operação pode ser feita por contrato futuro, fixação com trading ou instrumento equivalente. O restante permanece disponível para decisões posteriores.
Após a fixação parcial, o acompanhamento semanal continua necessário. O volume ainda livre mantém potencial de valorização caso a China amplie as compras ou o clima no Corn Belt piore. Travar uma parcela não significa abrir mão de oportunidades, mas proteger a margem sobre parte da produção.
Com o custo já decidido e a receita no melhor momento das últimas nove semanas, a avaliação passa por fechar parte da conta. Esperar uma alta adicional aumenta a exposição a fatores fora do controle do produtor, enquanto a fixação parcial assegura resultado e mantém flexibilidade para negociar o restante.