A crise dos defensivos agrícolas expôs um desafio que vai além do excesso de estoque: definir preços quando o mercado muda rapidamente e o valor de reposição fica abaixo do custo já pago. Segundo Artur Vasconcelos Barros, diretor executivo do Grupo Central Campo, esse cenário marcou a distribuição brasileira em 2023 e também foi vivido pela empresa.
O movimento começou com a indústria ampliando a oferta em um período de mercado aquecido, enquanto distribuidores antecipavam compras diante de uma demanda considerada provável. Ao mesmo tempo, a queda das margens das commodities levou produtores a adiar aquisições. O resultado foi a permanência dos produtos em estoque justamente quando os preços começaram a recuar.
Com a desvalorização, a precificação virou um impasse. Manter o valor baseado no custo original significava perder competitividade diante de concorrentes que haviam comprado depois ou aceitavam reduzir margens para acelerar o giro. Acompanhar o preço de mercado, por outro lado, obrigava o distribuidor a reconhecer a perda imediatamente. Já esperar uma recuperação mantinha o capital imobilizado em produtos que continuavam perdendo valor.
Nesse ambiente, não havia alternativa sem impacto financeiro. A decisão passou a envolver caixa, leitura de mercado, pressão da concorrência e relação com fornecedores, muitas vezes sem clareza sobre quando os preços chegariam ao piso.
Para Barros, o efeito chicote ajuda a explicar a oscilação de volumes ao longo da cadeia, mas não resume o problema. O ponto central está no estoque adquirido por um valor que o mercado deixou de sustentar. A experiência reforçou a importância de uma política clara de provisão para desvalorização, evitando decisões improvisadas em momentos de queda.