Tarifaço faz governo liberar bilhões para o agro
Publicado em 23/07/2026 06h20

Tarifaço faz governo liberar bilhões para o agro

A indústria alimentícia liderou a distribuição.
Por: Leonardo Gottems

O agronegócio foi destaque no Plano Brasil Soberano em 2025. Conforme balanço do BNDES, atividades ligadas à produção rural e à agroindústria receberam R$ 7,7 bilhões, o equivalente a 40% dos R$ 19,584 bilhões aprovados no programa.

A indústria alimentícia liderou a distribuição, com R$ 4,159 bilhões, cerca de 21% de todo o financiamento. Também tiveram participação relevante o setor de madeira, com R$ 1,854 bilhão, e a agricultura, a pecuária e seus serviços, com R$ 917 milhões. O comércio atacadista, que inclui tradings ligadas às exportações, recebeu R$ 1,987 bilhão.

O crédito procurou dar fôlego às empresas atingidas pelas tarifas dos Estados Unidos, principalmente por meio do reforço ao caixa. A linha emergencial respondeu por R$ 10,028 bilhões, enquanto a modalidade de diversificação movimentou R$ 9,023 bilhões. Nesta última, as companhias assumiram o compromisso de ampliar as vendas em outros países e reduzir a dependência do mercado norte-americano.

Os investimentos produtivos tiveram espaço menor. Somente R$ 348 milhões foram aplicados na compra de equipamentos e em adaptações das atividades. Grandes empresas contrataram R$ 13,309 bilhões em 404 operações. As micro, pequenas e médias reuniram 982 contratos, que totalizaram R$ 6,275 bilhões. A concessão do financiamento também ficou vinculada à preservação ou ampliação dos empregos.

O BNDES estimou que as barreiras poderiam causar perdas econômicas de R$ 93,4 bilhões e ameaçar 340 mil vagas. Na continuidade da resposta, o Brasil Soberano III oferecerá R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do banco.