Tarifa americana atinge o agro paranaense e gera reação da FAEP
Publicado em 23/07/2026 12h06

Tarifa americana atinge o agro paranaense e gera reação da FAEP

A partir de 22 de julho, os EUA cobram taxa extra de 25% sobre o agro do Paraná, motivando críticas da FAEP à inércia do governo federal.
Por: Redação

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos atinge em cheio cadeias produtivas relevantes do agronegócio paranaense. A medida, que começou a ser aplicada no dia 22 de julho, incide sobre itens de peso na pauta do estado, incluindo proteínas animais, frutas, lácteos, produtos florestais, couros e hortaliças, criando um ambiente de apreensão nos campos e nas agroindústrias do Sul.

Diante da consolidação da barreira comercial, o Sistema FAEP manifestou dura preocupação em relação à conduta das autoridades brasileiras. A entidade representativa dos produtores rurais aponta ausência de iniciativas diplomáticas e de canais de negociação por parte do Poder Executivo para tentar reverter as restrições ou amenizar os prejuízos econômicos que recaem sobre o setor produtivo.

Críticas da FAEP à postura federal

O anúncio prévio da sobretaxa ocorreu no início de junho, abrindo uma janela de mais de 40 dias na qual o mercado esperava uma gestão direta entre Brasília e Washington. A falta de diálogo formal para resguardar os acordos vigentes motivou posicionamentos firmes da liderança ruralista do Paraná, que considera que o setor agrícola permaneceu sem o devido amparo institucional.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que o governo federal manteve uma postura inoperante ao longo de todo o período que antecedeu o início das cobranças. Em sua avaliação, a omissão governamental deixou o campo desprotegido frente às decisões unilaterais tomadas pelo mercado norte-americano.

Ações não realizadas no ambiente diplomático: "A nova tarifa foi anunciada no início de junho, há mais de 40 dias, e o governo federal não fez nada, não abriu um canal de negociação com os Estados Unidos. Ou seja, simplesmente deixou acontecer, quando poderia preservar nossos acordos comerciais e minimizar os impactos sobre quem trabalha no campo", aponta Ágide Eduardo Meneguette.

Volume financeiro e pauta exportadora

A apreensão do setor produtivo ganha dimensão ao analisar o volume financeiro movimentado entre o Paraná e os compradores norte-americanos. Dados oficiais referentes ao primeiro semestre de 2026 indicam que as exportações do agronegócio paranaense para os Estados Unidos somaram US$ 301 milhões, posicionando o país entre os parceiros comerciais mais relevantes do estado.

Dentro dessa pauta comercial, os produtos florestais lideraram as remessas aos portos americanos, gerando US$ 172 milhões em receitas para as empresas do Paraná entre janeiro e junho. O segmento de couros ocupou a segunda posição, com US$ 17 milhões faturados, seguido pelo complexo sucroalcooleiro, que movimentou US$ 10,1 milhões no mesmo período.

A manutenção desses fluxos comerciais é considerada fundamental para a sustentabilidade de milhares de empregos gerados no interior do estado. Meneguette pontua que o agronegócio do Paraná necessita de operações fluidas que garantam a competitividade dos produtos paranaenses na estrutura de abastecimento dos Estados Unidos.

As alegações americanas na Seção 301

A determinação para o estabelecimento das alíquotas adicionais partiu do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida fundamentou-se em um relatório de investigação que enquadrou as políticas comerciais do Brasil na chamada Seção 301, dispositivo legal norte-americano utilizado para sancionar parceiros acusados de adotarem práticas consideradas desleais.

O documento elaborado pelos analistas norte-americanos apresentou justificativas heterogêneas para fundamentar as retaliações comerciais ao país. O texto cita a ampliação do sistema Pix como método de pagamento, questões ligadas à pirataria e uma suposta deficiência nos mecanismos de fiscalização ambiental como fatores que comprometeriam a isonomia das trocas comerciais.

As autoridades dos Estados Unidos alegam que falhas no combate ao desmatamento ilegal permitiriam o uso de áreas irregulares para atividades agropecuárias. Sob a ótica do órgão americano, essa dinâmica proporcionaria às exportações brasileiras uma vantagem competitiva indevida no mercado internacional.