Uma comitiva formada por colaboradores do Sistema Famasul realizou uma visita técnica à unidade Santa Luzia, operada pela Atvos no município de Nova Alvorada do Sul. A atividade, realizada na quinta-feira, integra as ações do programa Movidos pelo Agro, voltado ao incentivo do uso de biocombustíveis na frota institucional e entre os profissionais da Casa Rural.
A planta industrial destaca-se por ser a primeira operação flex de Mato Grosso do Sul, projetada para processar cana-de-açúcar e milho em uma mesma estrutura. A integração industrial permite a fabricação de etanol e a geração contínua de bioeletricidade e biometano a partir do reaproveitamento dos resíduos de matéria-prima, exemplificando o conceito de economia circular no setor sucroenergético.
Durante o percurso pelas instalações agrícolas e industriais, os participantes acompanharam as rotinas operacionais e os protocolos de segurança do trabalho. A apresentação deu destaque aos planos de contingência, treinamento de equipes e infraestrutura dedicada ao combate a incêndios florestais e agrícolas, medidas indispensáveis para proteger a área cultivada e manter a continuidade das operações.
Capacitação e multiplicação: O coordenador de Inteligência e Negócios do Sistema Famasul, Beto do Valle, destaca que o contato com a tecnologia da fábrica permite que os colaboradores atuem como multiplicadores das informações sobre bioenergia para a sociedade sul-mato-grossense.
A movimentação industrial observada em Nova Alvorada do Sul reflete a posição de destaque que Mato Grosso do Sul ocupa no balanço energético nacional. O estado ostenta atualmente o posto de segundo maior produtor de etanol de milho do Brasil, além de figurar em quarto lugar na produção de cana-de-açúcar, na fabricação de etanol de cana e na exportação de bioeletricidade.
Os indicadores da safra 2025/2026 confirmam a dimensão desse parque fabril, que alcançou o volume consolidado de 5 bilhões de litros de etanol produzidos no estado. Desse total, o processamento da cana-de-açúcar respondeu por 2,8 bilhões de litros, enquanto o milho garantiu o fornecimento de 2,2 bilhões de litros do biocombustível.
Conexão com o campo: O diretor de Operações Agroindustriais da Atvos, José Nozela, aponta que a aproximação com entidades do setor valoriza a cadeia sucroenergética e fortalece o protagonismo do etanol na transição energética nacional.
A experiência prática também impactou colaboradores de setores administrativos que possuem menor convivência com o ambiente agrícola. A analista de Compras da Famasul, Neide Arguelho, relatou que compreender o percurso do combustível desde a lavoura até as bombas dos postos transforma a percepção do consumidor final sobre o trabalho do agronegócio.
Estruturado em parceria com a Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), o programa Movidos pelo Agro incentiva a substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis na mobilidade corporativa. A iniciativa busca aproximar a comunidade urbana das soluções desenvolvidas nas propriedades rurais sul-mato-grossenses.
Desde o lançamento da campanha em 2024, o consumo acumulado de etanol entre os participantes ultrapassou a marca de 160 milhões de litros. Essa adesão evitou a emissão direta de 44,5 toneladas de CO₂ equivalente pela frota da instituição, montante comparável ao benefício ambiental proporcionado pelo cultivo de 312 árvores.
Balanço de carbono: Quando a análise engloba todo o ciclo de vida do biocombustível, abrangendo desde o cultivo no campo até a queima nos motores, a redução estimada atinge 59,7 toneladas de CO₂ equivalente.