EUA mantêm carne bovina fora da tarifa de 25% e aliviam agro de MS
Publicado em 22/07/2026 07h35

EUA mantêm carne bovina fora da tarifa de 25% e aliviam agro de MS

Em julho, a Famasul confirmou que a tarifa de 25% dos EUA preservou a carne bovina e outros itens de MS, minimizando os impactos no estado.
Por: Redação

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros trouxe um cenário mais ameno para o agronegócio de Mato Grosso do Sul do que o previsto nas primeiras análises. O levantamento elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), com base em dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), indica que os principais itens da pauta exportadora estadual foram mantidos na lista de exceções.

A medida norte-americana entra em vigor em 22 de julho de 2026, incidindo unicamente sobre os produtos sem isenção após a rodada de audiências públicas. No caso sul-mato-grossense, a carne bovina, líder das vendas para o mercado americano, ficou fora da nova alíquota. Além da proteína vermelha, outros segmentos relevantes para o estado, como tilápia, couros e madeira, obtiveram a garantia de taxa zero.

Estrutura das exportações estaduais

O impacto limitado explica-se pela composição da pauta e pelo perfil do comércio exterior do estado. Os Estados Unidos absorvem cerca de 5% das remessas do agronegócio de Mato Grosso do Sul. Em contrapartida, a China figura como a principal parceira comercial do setor no estado, concentrando 52,2% de todo o volume faturado nas vendas externas.

Essa distribuição geográfica protege o fluxo de caixa das empresas locais, reduzindo a exposição a alterações regulatórias no Hemisfério Norte. A preservação da carne bovina garante a manutenção das escalas nos frigoríficos habilitados para atender os compradores americanos, sustentando a receita dos pecuaristas em Mato Grosso do Sul.

Preservação de receitas estaduais: Carne bovina, tilápia, madeira e couros de Mato Grosso do Sul ficaram fora da tarifa de 25%, assegurando a estabilidade comercial das vendas aos Estados Unidos.

Reflexo no balanço nacional e lista de isenções

Em âmbito nacional, o alívio manifestado pelas entidades decorre da abrangência da lista de produtos isentos. Mapeamento conduzido pela CNA demonstra que cerca de 63,5% do valor total das exportações do agronegócio brasileiro com destino aos Estados Unidos permaneceram livres da tarifa suplementar.

Entre os itens beneficiados pela manutenção da alíquota zero figuram café em grão e solúvel sem sabor, mel orgânico, pescados, suco de laranja, cacau e especiarias. Por outro lado, a cobrança de 25% passará a incidir sobre setores que não obtiveram enquadramento nas exceções, a exemplo de açúcar, etanol, carne suína e produtos industrializados.

Proteção do comércio bilateral: Cerca de 63,5% das vendas agrícolas do Brasil para o mercado americano continuam isentas, protegendo cadeias estratégicas como café, carne bovina e suco de laranja.

Complementaridade e acompanhamento contínuo

A manutenção das isenções contou com o apoio de associações de importadores e indústrias dos próprios Estados Unidos. Durante os painéis técnicos, os compradores locais destacaram que os insumos agrícolas brasileiros abastecem linhas de processamento internas, evitando o repasse de pressões inflacionárias ao consumidor americano.

Os Estados Unidos mantêm a posição de segundo maior parceiro do agronegócio brasileiro. Em 2025, o faturamento com os embarques para aquele país somou aproximadamente US$ 12 bilhões, evidenciando a interdependência entre os dois mercados. A Famasul e a CNA seguem em monitoramento permanente sobre eventuais revisões tarifárias pela administração norte-americana.