Como manejo do Senar fez produtor de MS saltar para 27 colmeias ativas
Publicado em 18/07/2026 12h05

Como manejo do Senar fez produtor de MS saltar para 27 colmeias ativas

Em Figueirão (MS), o produtor Edilson expandiu seu apiário de cinco para 27 colmeias com apoio da ATeG do Senar/MS, resgatando o legado de seu pai.
Por: Redação

A atividade apícola em Mato Grosso do Sul desponta como excelente alternativa de diversificação para pequenas propriedades rurais. Em Figueirão, no norte do estado, a aplicação de técnicas corretas de manejo transformou uma antiga tradição familiar em um negócio estruturado e em franca expansão.

A trajetória do produtor Edilson começou com o seu pai, que conciliava o cultivo de frutas e café com a produção de mel. Com o falecimento do patriarca em 2008, Edilson herdou as colmeias da propriedade, enfrentando a escassez de conhecimento técnico para a condução do apiário.

Esta é a história do Transformando Vidas de hoje, confira:

Sem suporte operacional e desconhecendo a apicultura comercial, o produtor trabalhou de forma empírica durante anos. A instalação inadequada das caixas em brejos e a ausência de tratos específicos de inverno resultaram na perda progressiva dos enxames, que abandonavam as estruturas.

Desafios iniciais no campo: "Eu montei tudo por minha conta, coloquei as caixas no brejo e até produzi alguma coisa, mas por falta de manejo muitos enxames foram embora. A gente não tratava na seca, não tinha essas informações", relata Edilson.

O impacto da gestão técnica no apiário

A reestruturação ocorreu quando o apicultor buscou orientação da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS. O acesso aconteceu por intermédio de sua filha, médica veterinária que ingressou na entidade e abriu os horizontes da fazenda para novas tecnologias.

O diagnóstico inicial dos técnicos identificou gargalos na organização e alocação de recursos. A partir disso, a fazenda estabeleceu metas de curto e médio prazo, detalhando em planilhas os custos operacionais e as etapas para a recuperação das colmeias.

Uma das mudanças envolveu o manejo nutricional artificial nos meses de inverno e estiagem. O fornecimento estratégico de alimento nos períodos de escassez floral impede a desestruturação das colônias, mantendo a população de operárias forte para o início da primavera.

A importância do planejamento: "Colocamos o pouco de investimento que tínhamos no papel, criamos metas e fomos cumprindo as etapas. Um dos pontos principais foi o inverno, na época de escassez, pois a natureza não deixa a colmeia crescer. Então se fornecer alimento, quando tiver flores na região elas vão estar preparadas", explica o produtor.

Seleção genética e padronização dos enxames

Além do aporte nutricional na entressafra, o plano incluiu a seleção zootécnica de rainhas produtivas. A introdução de linhagens selecionadas permitiu a padronização das colônias, corrigindo distorções comuns onde há enxames populosos que não acumulam mel.

Os resultados refletiram-se no crescimento do plantel, que saltou de cinco caixas remanescentes para 27 colônias ativas. A expansão garante escala para as operações de extração e melhora a inserção do produto nos canais de comercialização regionais.

Na última safra, a produtividade média por caixa atingiu 15 quilos de mel, índice satisfatório diante do histórico de perdas anterior. As estimativas para a próxima colheita, projetada para agosto e setembro de 2026, apontam para tetos produtivos ainda maiores.

O apicultor projeta colher entre 20 e 25 quilos de mel por colmeia, amparado pelo vigor biológico demonstrado pelos enxames. O plano de longo prazo prevê a introdução de uma floresta comercial de madeira que traga benefícios diretos para o pasto apícola regional.

A consolidação do apiário pavimenta o caminho para a sucessão familiar planejada no ambiente rural. O filho mais novo iniciou operações próprias com cinco colmeias, enquanto as netas começam a ser introduzidas na atividade através do manejo de abelhas sem ferrão.