
O balanço de oferta e demanda de fibras naturais ingressa no segundo semestre de 2026 sob uma perspectiva de reajustes positivos para a cotonicultura brasileira, conforme indicam os painéis de acompanhamento do mercado internacional. As análises compiladas no relatório Radar Agro, produzido pela Consultoria Agro do Itaú BBA com base nos dados de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), revelam que as lavouras nacionais ganharam um incremento técnico em suas estimativas operacionais para o ciclo 2026/2027.
Os analistas destacam que a projeção para a produção de algodão em pluma no Brasil foi revisada para cima, passando de 3,8 milhões de toneladas na estimativa de junho para 3,9 milhões de toneladas no relatório atual. Esse ajuste decorre de uma melhora nos índices de rendimento esperado no campo, cuja produtividade média foi corrigida de 1,9 para 2,0 toneladas por hectare, igualando o desempenho histórico alcançado na temporada de 2025/2026. A evolução mitiga a redução na área colhida, que passou de 2,1 milhões para 2,0 milhões de hectares no mesmo período comparativo.
Consolidação da safra de algodão: A colheita brasileira da fibra está projetada em 3,9 milhões de toneladas para o ciclo 2026/2027, sustentada por uma produtividade média de 2,0 toneladas por hectare nas principais regiões produtoras.
A manutenção dessa colheita robusta confere segurança para o cumprimento dos contratos de exportação firmados pelas tradings e cooperativas. O volume direcionado para o mercado externo na temporada 2026/2027 foi mantido em estáveis 3,3 milhões de toneladas, repetindo o desempenho recorde consolidado no ciclo anterior. Essa regularidade nos embarques portuários consolida a posição do Brasil entre os fornecedores de alta performance no comércio internacional.
Como resultado de exportações aceleradas combinadas com um consumo doméstico fixado em 0,7 milhão de toneladas, as reservas internas de pluma passarão por um processo de encolhimento saudável. Os estoques finais de algodão no país devem recuar para 0,7 milhão de toneladas, gerando uma relação estoque-consumo interna de 18,5%, patamar inferior aos 20,4% registrados na safra passada e que indica um balanço de oferta mais equilibrado nos armazéns das fiações.
No ambiente global, o mercado de fibras opera sob a influência de um descompasso técnico entre a produção total e a demanda das indústrias têxteis. O USDA projeta que o consumo mundial de algodão registrará uma expansão de 2% na temporada 2026/2027, atingindo a marca de 26,6... milhões de toneladas. Esse avanço contrasta com a colheita global, que deve encolher 4% em comparação com a temporada anterior, caindo para 25,5 milhões de toneladas.
Déficit estrutural na fibra: O consumo mundial projetado em 26,6 milhões de toneladas deve superar a produção global de 25,5 milhões de toneladas na temporada 2026/2027, enxugando as reservas mundiais.
A principal praça de destino das cargas brasileiras mantém seus planos de compras inalterados, fornecendo suporte para o escoamento nos portos. A China, maior consumidora do produto, teve sua estimativa de importação mantida em 1,5 milhão de toneladas para a nova safra, embora sua produção interna deva registrar um recuo de 6%, totalizando 7,3... milhões de toneladas devido a ajustes de área nas províncias agrícolas.
O cenário de estoques mundiais deprimidos gera reflexos diretos na curva de precificação dos contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York (ICE). O estoque final global de algodão foi revisado para baixo, caindo para 15,5... milhões de toneladas, volume 6% menor do que o registrado no fechamento do ciclo de 2025/2026. A relação estoque-consumo no mundo recuará de 63% para 58%, desenhando um ambiente de firmeza para as cotações internacionais.
Os modelos de fechamento de mercado apresentados no relatório do Itaú BBA revelam uma tendência de valorização contínua para as posições futuras ao longo dos próximos meses. As cotações da fibra, estimadas em 80 centavos de dólar por libra-peso para os contratos com vencimento em outubro de 2026, devem iniciar um movimento ascendente até atingirem o pico de 84 centavos de dólar por libra-peso em maio de 2027.
A partir de meados de 2027, o ingresso das intenções de plantio do novo ciclo do hemisfério norte tende a promover acomodações técnicas nas telas da bolsa. As projeções indicam que os contratos futuros devem recuar gradualmente, convergindo para o patamar de 77 centavos de dólar por libra-peso nas posições abertas para dezembro de 2027, alinhando as expectativas com a entrada física da safra americana, estimada em 3,0 milhões de toneladas.