
As revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) movimentaram as mesas de negociação ao apontarem para um aperto no balanço mundial do cereal, alterando o comportamento dos fundos de investimento. Conforme os dados consolidados no relatório Radar Agro da Consultoria Agro do Itaú BBA, a estimativa para os estoques finais globais de milho na temporada 2026/2027 sofreu uma redução significativa, caindo de 281,0 milhões para 275,0 milhões de toneladas. Essa retração representa um encolhimento de 8% na comparação com o ciclo anterior, ajustando a relação estoque-consumo para o patamar de 21%.
A principal força por trás dessa revisão baixista nos estoques reside nas dificuldades climáticas enfrentadas pelos produtores da União Europeia, que amargaram perdas de rendimento. O bloco europeu viu sua estimativa de colheita encolher de 58,0 milhões para 53,8 milhões de toneladas, um recuo de 6,5% em relação às projeções do mês anterior. Como consequência direta dessa menor disponibilidade interna, as indústrias da Europa precisarão recorrer com mais intensidade ao mercado externo, elevando a previsão de importações do bloco para 22,5 milhões de toneladas.
Aperto nos estoques globais: A estimativa das reservas mundiais de milho para o ciclo 2026/2027 foi cortada para 275,0 milhões de toneladas, puxada pela quebra na safra da União Europeia.
No cenário doméstico, os números do relatório indicam estabilidade e consolidação da capacidade produtiva nacional para o novo ciclo, trazendo previsibilidade aos arranjos comerciais. A produção brasileira de milho para a temporada 2026/2027 está estimada em 139,0 milhões de toneladas, o que representa uma expansão de 0,7% sobre o volume consolidado na safra de 2025/2026. Esse avanço é sustentado pela ampliação da área cultivada, que deve atingir 23,2 milhões de hectares, compensando uma leve oscilação negativa de 1,0% na produtividade média, calculada em 6,0 toneladas por hectare.
A distribuição interna desse volume revela a consolidação do parque industrial de processamento de grãos e a firmeza da pecuária intensiva no país. O consumo doméstico total do grão está projetado em 98,0 milhões de toneladas, demonstrando um crescimento de 2,1% frente ao período anterior. As usinas de biocombustíveis e indústrias de amido, que compõem o uso industrial, devem absorver 33,0 milhões de toneladas, enquanto o segmento de rações para aves, suínos e bovinos responderá pelo consumo de 65,0 milhões de toneladas.
Consumo interno em expansão: A demanda brasileira por milho deve atingir 98,0 milhões de toneladas, com o setor de rações absorvendo 65,0 milhões e a indústria de etanol demandando 33,0 milhões de toneladas.
Com o mercado interno aquecido, o volume direcionado para o comércio exterior foi projetado em 44,0 milhões de toneladas, mantendo o país em uma posição competitiva nas vendas marítimas. Esse ritmo equilibrado entre moagem doméstica e embarques portuários deve resultar em estoques finais de 11,1 milhões de toneladas, deixando a relação estoque-consumo interna em um patamar técnico de 7,8% nos armazéns nacionais.
Nas planilhas que monitoram os principais concorrentes do Brasil, o comportamento dos Estados Unidos adiciona volatilidade às cotações internacionais. Embora a produção norte-americana para 2026/2027 esteja estimada em confortáveis 406,4 milhões de toneladas, a agressividade das suas tradings elevou a projeção de exportações para 81,3 milhões de toneladas. Esse ritmo acelerado de vendas externas reduziu os estoques finais americanos para 45,5 milhões de toneladas, um corte de 8,7% sobre os dados divulgados em junho.
Na América do Sul, a Argentina também registrou ajustes em suas planilhas, com a produção do ciclo anterior revisada para cima, atingindo 63,0 milhões de toneladas, enquanto a estimativa para a nova temporada projeta uma colheita de 55,0 milhões de toneladas devido a ajustes de área. Esse rearranjo global entre menor produção na Europa e estoques mais enxutos nos Estados Unidos cria uma base de suporte para a curva de preços futuros do cereal.
A tendência traçada pelos modelos matemáticos indica um encarecimento gradual do milho no mercado financeiro internacional ao longo dos próximos trimestres. As projeções de fechamento apontam que os contratos futuros do cereal, cotados a 4,40 dólares por bushel em setembro de 2026, devem iniciar uma trajetória de valorização contínua até atingirem o pico de 4,90 dólares por bushel nas negociações programadas para julho de 2027.