Brasil importa 85% dos fertilizantes e enfrenta alta puxada por baterias
Publicado em 13/07/2026 09h26

Brasil importa 85% dos fertilizantes e enfrenta alta puxada por baterias

Em julho de 2026, a dependência externa de 85% expõe o agro brasileiro à alta dos fertilizantes, puxada pela disputa por enxofre no mercado global.
Por: Redação

O balanço de custos estruturais das lavouras brasileiras ingressa em um ciclo de monitoramento severo devido à forte exposição cambial e geopolítica que rege o comércio exterior de insumos químicos. A alta dependência de fornecedores estrangeiros fragiliza o planejamento estratégico das propriedades rurais, as quais precisam absorver as flutuações rápidas das praças internacionais para assegurar o andamento do calendário de plantio.

Segundo dados da consultoria SCA Brasil Aliança, o mercado brasileiro importa atualmente cerca de 85% de todos os fertilizantes demandados pelas safras de grãos, fibras e perenes. O head de Operações e Inteligência de Suprimentos da instituição, Marcelo Soto, pontua que esse patamar elevado de submissão externa eleva os riscos operacionais do país diante de quebras na oferta ou entraves nos fretes marítimos.

A instabilidade recente ganha contornos específicos com a valorização de matérias-primas essenciais para a formulação de adubos. O enxofre e o ácido sulfúrico, elementos que formam a base para a síntese de adubos fosfatados, enfrentam um período de forte valorização internacional em decorrência do surgimento de novas demandas industriais.

Competição industrial pelo enxofre: A fabricação global de baterias elétricas para veículos automobilísticos passou a competir de forma direta pela originação de enxofre no mercado internacional, reduzindo a disponibilidade do insumo para a indústria tradicional de fertilizantes fosfatados.

O reflexo nos custos e a destruição de demanda

Esse desvio de fluxos comerciais repercute diretamente nas redes de distribuição que abastecem as cooperativas no Brasil. Em algumas praças produtoras do Centro-Oeste e do Sul, o preço final das formulações de fósforo chegou a dobrar em comparação com as médias históricas recentes, comprometendo as planilhas financeiras das fazendas e forçando o pecuarista e o agricultor a revisarem os aportes por hectare.

O encarecimento excessivo sinaliza o risco de consolidação do fenômeno técnico conhecido como destruição de demanda. Esse processo ocorre quando os agricultores reduzem de forma severa a aplicação de nutrientes no solo por falta de capacidade de custeio, forçando uma desaceleração forçada nas compras que, por consequência, tende a pressionar os fabricantes a reajustarem suas tabelas de preços.

Risco no mercado à vista: Empresas e produtores rurais que deixam as aquisições de insumos para a última hora no mercado spot enfrentam prêmios elevados e correm o risco real de desabastecimento durante os meses de plantio.

Gargalos operacionais no segundo semestre

As dificuldades operacionais ganham contornos adicionais com a chegada do segundo semestre do ano, período que concentra os maiores volumes físicos de entrega de fertilizantes nas ferrovias e rodovias brasileiras. A sobrecarga na malha de transporte nacional aumenta a probabilidade de atrasos na retirada das mercadorias nos terminais portuários.

A lentidão no desembarque de navios graneleiros aciona cobranças pesadas de taxas de sobreestadia, despesa que as tradings repassam ao custo final do adubo. Soto alerta que os bloqueios podem atingir as plantas misturadoras internas, comprometendo o cumprimento dos cronogramas de entrega estabelecidos com as revendas regionais antes do início das chuvas de verão.

Para contornar o estresse da entressafra, o gerenciamento das compras corporativas passa a exigir o suporte de ferramentas de inteligência de suprimentos. O monitoramento de dados qualificados permite mapear a saúde financeira de fornecedores internacionais, avaliar as rotas de navios e identificar janelas de preços atrativas para o fechamento de contratos de longo prazo.

O Ministério da Agricultura acompanha os estoques de passagem nos principais portos para dimensionar as necessidades de importação complementares até o início do vazio sanitário da soja. O Porto de Santos e o Terminal de Paranaguá registram movimentação intensa de navios originários do Leste Europeu e do Oriente Médio, definindo o fluxo de entrega para as cooperativas graneleiras.