
Foto: Divulgação/SLC Agrícola
A coordenação entre diferentes cadeias produtivas dentro de grandes grupos do agronegócio reflete a busca por estabilidade operacional, sobretudo em regiões onde as janelas climáticas impõem riscos severos para uma segunda ou terceira safra consecutiva de grãos. Ao converter talhões agrícolas em pastagens temporárias durante a entressafra, as empresas equilibram a utilização de frotas, diversificam receitas e otimizam as condições biológicas do solo.
Um dos principais expoentes nacionais dessa transição é a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de commodities do país. A companhia estruturou um plano robusto baseado no sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), estratégia iniciada em 2018. O arranjo permite alternar o uso da terra, aproveitando a biomassa residual da soja e do milho para nutrir os rebanhos comerciais enquanto a área recupera seu potencial químico.
Os reflexos econômicos dessa integração aparecem nos indicadores de comercialização da empresa. Os volumes de bovinos negociados mantêm uma curva ascendente nas últimas temporadas, expandindo a participação da pecuária de corte dentro do faturamento consolidado do grupo e conferindo maior previsibilidade para os acionistas.
Salto comercial na pecuária: Entre os ciclos de 2020 e 2025, o volume de animais vendidos pela SLC Agrícola saltou de 13.000 para 63.480 cabeças, com uma projeção oficial de atingir 76.000 animais na safra 2025/2026, indicando um avanço de 19,7%.
A trajetória operacional teve início com um lote experimental de 60 animais na Fazenda Planorte, localizada em Mato Grosso. Atualmente, o gerenciamento adota um cronograma técnico que divide o ciclo pecuário em etapas especializadas, como a Recria Intensiva a Pasto (RIP) e a Terminação Intensiva a Pasto (TIP), além do confinamento tradicional.
Nesse desenho, a ILP atua como uma fase regulatória estratégica. O gado aproveita as forragens remanescentes do milho e a cobertura pós-soja, consumindo fibras de boa qualidade em meses nos quais as pastagens convencionais sofrem com a seca. Após esse período de ganho de carcaça, os lotes seguem para as etapas de engorda intensiva, assegurando a padronização exigida pela indústria frigorífica.
A adoção desse fluxo contínuo altera a logística das propriedades. O aproveitamento dos resíduos culturais fornece um colchão nutricional econômico, permitindo que a empresa mantenha taxas de lotação por hectare elevadas sem inflacionar o custo estrutural com a aquisição de rações externas ou grãos comerciais.
Segundo o gerente de Pecuária da SLC Agrícola, André Campanini, o sistema oferece flexibilidade de acordo com as condições específicas de cada unidade produtiva. O modelo absorve as variações climáticas locais e conecta o calendário agronômico com o manejo de pastos.
“A Integração Lavoura-Pecuária tem um papel importante justamente nessas regiões em que a safra é mais desafiadora. Conseguimos inserir a pecuária dentro do sistema produtivo, melhorar o uso do solo e criar uma conexão mais eficiente”, explica Campanini.
O plano de diversificação avança para modelos mais complexos, como a Integração Pecuária-Floresta (IPF). Essa modalidade incorpora linhas arbóreas nos piquetes de pastejo, atendendo a demandas globais por cadeias de baixo carbono e agregando diferenciais de sustentabilidade à proteína gerada nas fazendas.
A companhia gerencia 833 hectares sob esse formato de integração florestal, distribuídos em três unidades mato-grossenses: as fazendas Pampeira, Planorte e Paiaguás. A presença das árvores altera o microclima dos piquetes, oferecendo conforto térmico ao rebanho, o que diminui o estresse calórico e acelera o desenvolvimento dos animais.
Na safra 2024/2025, a área total alocada para a pecuária atingiu 11.272 hectares. Desse montante, o sistema ILP absorveu 5.974 hectares, enquanto as zonas de pastagem permanente responderam por 5.298 hectares, equilibrando os espaços de produção flexível com campos estruturais fixos.
A integração impulsiona as metas de economia circular corporativa por meio do aproveitamento de resíduos. O material orgânico gerado nas estruturas de confinamento passa por processos de tratamento e compostagem, sendo convertido em biofertilizantes de alta eficiência para as lavouras.
Esse biofertilizante retorna diretamente aos talhões de produção de grãos, substituindo uma parcela dos insumos químicos tradicionais e melhorando os níveis de matéria orgânica do solo. O ciclo minimiza as perdas internas, transformando um resíduo operacional em um ativo que reduz os custos de fertilização das safras seguintes.
A malha pecuária da SLC Agrícola abrange sete propriedades distribuídas entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O departamento de planejamento coordena os ajustes finais para expandir esse desenho estrutural para o estado do Maranhão, estendendo o modelo técnico para a região do Matopiba.