Safrinha atinge 20% da área no país e calor nos EUA puxa B3
Publicado em 07/07/2026 08h00

Safrinha atinge 20% da área no país e calor nos EUA puxa B3

Nesta segunda-feira, o milho subiu mais de 13 pontos em Chicago devido ao calor nos EUA, enquanto o Brasil colheu 20% da safrinha sob riscos climáticos.
Por: Wisley Torales

As oscilações climáticas no hemisfério norte passaram a exercer influência direta sobre as cotações das commodities agrícolas nesta semana. Lavouras localizadas no Meio-Oeste dos Estados Unidos enfrentam temperaturas elevadas e umidade abaixo das médias históricas, alterando o comportamento dos fundos de investimento nas bolsas internacionais.

De acordo com a análise técnica "Direto do Campo", elaborada pela plataforma Grão Direto a partir de dados da Grainsights, os contratos futuros do cereal avançaram mais de 13 pontos nesta segunda-feira (6). O movimento altista reflete o receio de perdas em um momento em que as plantações norte-americanas ingressam na fase de polinização, etapa sensível ao estresse térmico prolongado.

Embora as chuvas registradas ao longo de junho tenham garantido uma reserva hídrica inicial nas camadas mais profundas do solo, a persistência de um bloqueio atmosférico ameaça o rendimento das fazendas. Os operadores mantêm o monitoramento dos mapas meteorológicos, pois a continuidade do tempo seco pode reduzir as estimativas oficiais de colheita emitidas pelo departamento de agricultura americano.

Pressão térmica no Meio-Oeste: O calor intenso coincide com a polinização americana, período em que a falta de umidade reduz a fertilidade das espigas e limita o potencial produtivo das lavouras.

Avanço da safrinha e gargalos regionais

No Brasil, as colheitadeiras avançam pelas principais regiões agrícolas para recolher a segunda safra de 2026. Os levantamentos consolidados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que os trabalhos de campo atingiram aproximadamente 20% de toda a área projetada para o ciclo atual no território nacional.

O ritmo de retirada do grão exibe assimetrias acentuadas entre os estados. O Mato Grosso lidera as operações com frotas trabalhando em turnos estendidos, aproveitando o tempo firme para estocar o produto. Em contrapartida, as fazendas do Paraná registram atrasos nos cronogramas devido à entrada de frentes frias e umidade relativa do ar elevada.

A combinação de baixas temperaturas com umidade nas plantações paranaenses maduras gera preocupação em relação à qualidade sanitária dos grãos. A entrada paulatina desse milho novo no mercado físico mantém os compradores abastecidos e contribui para exercer uma pressão baixista temporária nas cotações regionais de curto prazo.

Progresso da colheita: O Mato Grosso acelera as operações de campo, contrastando com o atraso logístico no Paraná causado pela umidade que ameaça a integridade comercial dos grãos.

Mensuração de perdas e ritmo de vendas

O mercado doméstico avalia o tamanho real dos prejuízos causados pela estiagem que atingiu lavouras entre abril e maio. As áreas cultivadas tardiamente em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul concentram o monitoramento dos analistas, que esperam os dados das debulhadoras para medir a quebra do potencial produtivo nessas localidades.

Caso as perdas nas regiões afetadas pela seca se confirmem em patamares expressivos, a tendência indica sustentação para os contratos futuros negociados na B3. Esse suporte na bolsa brasileira deve atuar como limitador para desvalorizações intensas ao longo do segundo semestre, oferecendo um balizamento de preços mais firme.

O ritmo das vendas segue lento em comparação com anos anteriores, visto que os produtores adotam postura defensiva na fixação de valores. As médias oferecidas mostram-se pouco atrativas diante dos custos operacionais da safra, induzindo o agricultor a reter o grão à espera de oscilações cambiais favoráveis.

Demandas estratégicas e câmbio

Um fator de suporte para os preços internos reside na demanda das indústrias de biocombustíveis instaladas no Centro-Oeste. As usinas de etanol de milho operam com capacidade em expansão em estados estratégicos, absorvendo volumes significativos da produção regional e criando um piso de proteção para o pecuarista e o agricultor local.

No ambiente macroeconômico, o dólar iniciou os negócios cotado acima de R$ 5,15, após registrar sessões consecutivas de desvalorização frente à moeda brasileira. A volatilidade cambial atua diretamente na competitividade internacional do cereal, encarecendo ou barateando o produto para as tradings portuárias.

As equipes financeiras das propriedades acompanham as expectativas sobre os juros norte-americanos e a divulgação do IPCA de junho. Diante das altas de Chicago e das variações de câmbio, o controle rigoroso dos custos operacionais permanece como a principal estratégia para preservar a rentabilidade final no campo.