Fazenda modelo em Araçuaí testa palma para baratear custos
Publicado em 07/07/2026 07h00

Fazenda modelo em Araçuaí testa palma para baratear custos

O Sistema Faemg Senar implantou uma fazenda modelo em Araçuaí (MG) para validar o uso da palma forrageira na pecuária do semiárido.
Por: Redação

A convivência com o clima semiárido exige do produtor rural a adoção de estratégias alimentares que rompam a dependência das chuvas regulares. Na região norte de Minas Gerais e no Vale do Jequitinhonha, a oscilação das precipitações costuma inviabilizar o planejamento de pastagens tradicionais, elevando os custos com a compra de insumos externos durante os meses de estiagem prolongada. Como alternativa para mitigar essas perdas e dar estabilidade aos planteis, novas bases de produção estão sendo estruturadas.

O Projeto Palmas do Futuro, idealizado pelo Sistema Faemg Senar, surge com a proposta de estabelecer uma unidade de referência técnica para validar sistemas produtivos baseados na palma forrageira. A planta, amplamente reconhecida pela alta eficiência no uso da água e pelo expressivo aporte energético, passa a ser cultivada sob protocolos rigorosos de manejo para servir de espelho para as propriedades rurais do entorno.

A execução da proposta ocorre no município de Araçuaí, na Fazenda Pé da Serra. A iniciativa promove a integração entre as regionais da entidade no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. O gerente regional do Senar em Montes Claros, Luiz Rodolfo Antunes, pontua que a implantação da vitrine tecnológica visa transformar o cultivo da palma em uma ferramenta acessível para impulsionar o desenvolvimento econômico regional.

Validação de campo: A estrutura montada reúne técnicas de adubação intensiva, adensamento de plantio e manejo fitossanitário, gerando um banco de dados regionalizado sobre o desempenho zootécnico da forragem.

As características da cultura oferecem uma alternativa viável diante dos desafios enfrentados com as lavouras anuais, que demandam um regime hídrico concentrado. O gerente regional em Araçuaí, Cleberty Ferreira, salienta que apresentar os resultados em uma propriedade comercial facilita a compreensão dos produtores sobre a viabilidade econômica dos investimentos em irrigação localizada.

O gerenciamento inadequado das reservas de alimento descapitaliza o pecuarista no período seco, obrigando-o a vender animais magros a preços desfavoráveis. A técnica de campo Andressa Silva explica que a perenidade da palma forrageira confere uma segurança plurianual às propriedades, uma vez que o vegetal acumula biomassa ao longo dos ciclos e resiste a estiagens severas sem perder a qualidade nutricional.

“O produtor muitas vezes planta uma cultura anual e não consegue colher aquele alimento para a seca daquele ano. A palma forrageira permite uma segurança alimentar ano após ano”, detalha Andressa.

A parte financeira do projeto recebe atenção especial, visto que a redução dos custos operacionais determina a sobrevivência das pequenas fazendas. As irmãs Rosemária Miranda e Hessen Miranda, que administram a Fazenda Pé da Serra e integram o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) na pecuária leiteira, relatam que a manutenção da palma exige desembolsos inferiores se comparada ao custeio de outras lavouras.

O aproveitamento da palma forrageira na dieta melhora o balanço hídrico do gado, reduzindo a necessidade de ingestão de água nos períodos críticos. Hessen Miranda argumenta que a otimização dos recursos escassos eleva a eficiência da atividade leiteira, mantendo os índices estáveis mesmo sob estresse térmico severo.

“Com recursos reduzidos que a gente sempre tem nas fazendas, temos que otimizar tudo. É um investimento que vale a pena”, aponta a produtora de leite.

A distribuição do conhecimento gerado na fazenda modelo seguirá um cronograma de dias de campo direcionados a sindicatos rurais e associações. O coordenador do projeto, Luiz Carlos Gomes de Azevedo, esclarece que a meta posterior consiste em replicar o modelo em outras propriedades da região, ampliando o cinturão de segurança forrageira.

As planilhas de custos e os índices de produtividade por hectare obtidos na Fazenda Pé da Serra serão compartilhados com os centros de pesquisa do estado. O monitoramento contínuo das pragas norteia os protocolos adotados na unidade para assegurar a longevidade dos cultivos comerciais.