O mercado brasileiro de feijão opera com dinâmicas distintas neste início de segundo semestre, refletindo os impactos climáticos regionais e a transição entre os calendários de colheita. Os empacotadores e as indústrias encontram um ambiente de abastecimento apertado para os lotes comerciais de padrão superior, garantindo a estabilidade das cotações nas principais praças do país.
De acordo com o Cepea, a colheita das áreas irrigadas do Cerrado central começou a registrar os primeiros volumes, porém a entrada desse grão ocorre de forma gradativa. Essa lentidão no fluxo de recebimento impede a formação de estoques reguladores, mantendo a liquidez elevada para os produtores que dispõem de mercadoria de nota máxima.
A preferência das marcas pelo grão tipo carioca com coloração clara direciona as ordens de compra para as regiões que escaparam das intempéries. Enquanto as áreas de sequeiro mostram oscilação na qualidade final, os pivôs centrais começam a abastecer o mercado com lotes que atendem às exigências estéticas do comércio varejista.
No campo, o ritmo dos trabalhos agrícolas redesenha a geografia da oferta. O Paraná encontra-se na fase final de recolhimento da segunda safra, período que coincide com o início das atividades nos campos irrigados de Goiás e de outras franjas produtoras do Cerrado, conforme apontado pelos pesquisadores do Cepea.
Os primeiros lotes comerciais originados dessas áreas de alta tecnologia registraram excelente receptividade por parte dos compradores. A demanda aquecida ocorre devido ao esvaziamento das estruturas de armazenagem das empresas nos meses anteriores, obrigando os empacotadores a realizarem aquisições frequentes para dar vazão aos contratos.
Estoques reduzidos na indústria: A necessidade de recomposição imediata das reservas operacionais das indústrias sustenta o preço do feijão carioca extra, neutralizando a pressão baixista comum na chegada de novas safras.
Apesar da postura compradora, os corretores do setor mantêm cautela sobre o comportamento das cotações. A expectativa indica um incremento progressivo no volume descarregado ao longo de julho, fator que pode alterar o poder de barganha dos produtores à medida que as indústrias consigam recompor seus estoques mínimos.
A estabilidade observada no feijão padrão nota nove ou dez não se repete nas categorias inferiores. Para o feijão carioca de qualidade intermediária, o Cepea identifica ajustes de preços heterogêneos entre as praças, pois lotes afetados por problemas de umidade ou avarias enfrentam forte resistência das marcas líderes.
O escoamento desse feijão comercial de menor valor depende de negociações pontuais. Os produtores que colheram grãos com menor padrão comercial precisam ceder nas pedidas de preços para evitar o acúmulo de sacas nas fazendas, o que acentua a diferença de rentabilidade em relação ao produto de ponta.
O cenário para o feijão preto tipo 1 apresenta maior firmeza nas cotações devido a perdas consolidadas no campo. A produção dessa variedade concentra-se nas duas primeiras safras do ano, tendo o Paraná como principal polo. O encerramento definitivo das operações no estado sulista confirmou as projeções de redução de oferta.
Retenção na origem: Os produtores com lotes limpos de feijão preto adotam uma estratégia de retenção, limitando as vendas diárias na expectativa de que a escassez regional force novas valorizações no atacado.
A postura firme dos agricultores na fixação dos preços mínimos trava o ritmo dos negócios industriais. O monitoramento das áreas restantes de terceira safra será o indicador definitivo para balizar os custos de abastecimento do varejo alimentar ao longo do próximo trimestre.