Importação recorde de adubos não alivia custos de produção no campo
Publicado em 29/06/2026 09h49

Importação recorde de adubos não alivia custos de produção no campo

A Conab registrou importação recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, mas atrasos na compra elevaram custos da soja em até 18%.
Por: Redação

O balanço das importações brasileiras de fertilizantes expõe a complexa engrenagem de custos que desafia a rentabilidade no campo. Mesmo com o desembarque de volumes sem precedentes nos portos nacionais, a ampla oferta de insumos não se traduziu em alívio financeiro automático para os produtores rurais, que enfrentam desembolsos elevados para nutrir as lavouras.

De acordo com o boletim logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as importações brasileiras de fertilizantes atingiram a marca recorde de 45,5 milhões de toneladas em 2025. O resultado superou as 44,28 milhões de toneladas de 2024, estabelecendo um novo recorde histórico com expansão de 2,68% no período.

Essa movimentação consolida o papel dos adubos na sustentação das safras de grande escala, como soja, milho, algodão, café e cana-de-açúcar. Na divisão dos canais de entrada, o Porto de Paranaguá recebeu 10,89 milhões de toneladas, seguido por Santos com 8,42 milhões de toneladas, enquanto os terminais do Arco Norte movimentaram 8,27 milhões de toneladas.

Fluxo Logístico dos Fertilizantes Importados em 2025 (Conab):

  • Porto de Paranaguá (PR): Líder com 10,89 milhões de toneladas recebidas;

  • Porto de Santos (SP): Entrada de 8,42 milhões de toneladas;

  • Portos do Arco Norte: Movimentação de 8,27 milhões de toneladas;

  • Volume Total Nacional: Recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas.

O impacto do momento de compra nas margens

Apesar do volume recorde disponível, o preço pago pelo produtor continuou condicionado a variáveis como oscilações cambiais, fretes e prazos de entrega. Levantamento do Projeto Campo Futuro, coordenado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Senar, em parceria com o Cepea, revelou que agricultores que adiaram as aquisições enfrentaram reajustes severos.

A menor renda nas últimas temporadas estimulou compras lentas até abril. O estudo comparou as aquisições antecipadas (janeiro a abril) com as negociações tardias (maio a julho), demonstrando que o atraso expôs o setor a preços mais altos.

Evolução dos Custos por Hectare com Adubação Tardia (CNA/Cepea):

  • Maracaju (MS): Alta de 18,27% no combo de potássio e MAP (R$ 1.186,60 para R$ 1.403,40)[cite: 1];

  • Rio Verde (GO): Elevação de 7,78% no custo com potássio e supersimples (R$ 1.271,00 para R$ 1.369,80)[cite: 1];

  • Cascavel (PR): Reajuste de 8,50% no formulado 02-20-20 (R$ 820,20 para R$ 889,90);

  • Carazinho (RS): Majoração de 6,11% no fertilizante 02-23-23 (R$ 858,00 para R$ 910,50);

  • Sorriso (MT): Incremento de 5,13% no formulado 00-18-18 (R$ 1.332,40 para R$ 1.400,80).

O impacto financeiro assume proporções severas na escala das propriedades. Em Maracaju, uma fazenda típica de 1.000 hectares teve desembolso adicional calculado em R$ 216.743,82, quantia que obriga o agricultor a destinar 1.963 sacas de soja a mais apenas para quitar o mesmo pacote tecnológico de adubação.