Terminação intensiva a pasto eleva produtividade para 25 arrobas/ha
Publicado em 26/06/2026 10h57

Terminação intensiva a pasto eleva produtividade para 25 arrobas/ha

A Terminação Intensiva a Pasto foi destaque na Feicorte 2026 como estratégia de alta eficiência para obter resultados próximos ao confinamento.
Por: Wisley Torales

A busca por maior rentabilidade e eficiência produtiva na pecuária de corte brasileira ganha novos contornos com a adoção de tecnologias de manejo intensivo. Durante a Feicorte 2026, realizada nesta quinta-feira (25), o zootecnista e consultor técnico Rogério Coan (foto acima), apresentou as potencialidades da Terminação Intensiva a Pasto, conhecida como TIP. A metodologia desponta como alternativa viável para propriedades que buscam otimizar a engorda dos lotes sem a necessidade de investimentos vultosos em infraestrutura de confinamento tradicional.

A essência do sistema baseia-se na engorda de bovinos mantidos diretamente nas pastagens, sob uma dieta de alta densidade energética que apresenta grande proporção de alimentos concentrados. Esse planejamento nutricional é balanceado de forma dinâmica, considerando a qualidade e o volume de forragem disponível nos piquetes em cada época do ano. A técnica permite manter o ganho de carcaça acelerado mesmo durante os períodos de transição ou de seca extrema.

Conforme a análise de Rogério Coan, a tecnologia entrega índices zootécnicos bastante próximos aos observados em confinamentos convencionais de cocho, porém com custos operacionais significativamente menores. O modelo viabiliza o aproveitamento integral da estrutura física preexistente na fazenda, dispensando a construção de grandes galpões, sistemas complexos de distribuição de silagem ou pesadas obras de terraplanagem.

Destaque: "A Terminação Intensiva a Pasto (TIP) eleva a produtividade média de 5 para mais de 25 arrobas por hectare ao ano, combinando alto desempenho com baixo custo de infraestrutura." (Rogério Coan, Feicorte 2026)

Otimização de área e giros rápidos de estoque

O grande diferencial competitivo dessa tecnologia reside no aumento expressivo da produtividade por unidade de área de terra. Enquanto a pecuária extensiva tradicional brasileira registra marcas modestas de produção, com médias que flutuam em torno de cinco arrobas por hectare a cada ano, os sistemas que utilizam a engorda intensiva conseguem superar com facilidade a barra das 25 arrobas por hectare no mesmo período.

Essa aceleração produtiva permite fazer até três ciclos de engorda, os chamados giros, na mesma área ao longo de doze meses, multiplicando a taxa de desfrute da propriedade. Ao aumentar a lotação de cabeças por hectare por meio de pastos bem fertilizados e divididos, o pecuarista dilui os custos fixos da terra e eleva de forma expressiva o faturamento global do negócio rural.

Para alcançar este patamar de excelência produtiva, o consultor técnico destaca que o manejo precisa ser conduzido sob regras rígidas de planejamento. A taxa de lotação do pasto e a altura de entrada e saída dos animais nos piquetes determinam a eficiência da colheita de forragem pelos bovinos. Sem um ajuste fino entre a altura gramínea e a taxa de suplementação no cocho, o aproveitamento do capim é prejudicado.

Destaque: "Ao otimizar o uso das pastagens com suplementação concentrada de alta qualidade, o pecuarista consegue realizar até três giros de engorda na mesma área por ano." (Coan Consultoria)

Adaptação e gestão minuciosa da dieta

Os resultados produtivos da TIP dependem diretamente de vários pilares fundamentais, que se iniciam pelo controle rigoroso do período de adaptação dos animais à nova dieta. Devido à alta carga de grãos inseridos no trato diário, o rúmen do animal precisa passar por um período de transição gradual para evitar distúrbios digestivos graves, como a acidose subclínica e a laminite.

A formulação precisa das rações, o fornecimento constante nos cochos e o monitoramento diário dos indicadores de consumo voluntário completam os pré-requisitos para o sucesso do pecuarista nesta atividade de alta performance. Além do acompanhamento técnico da nutrição, a propriedade precisa registrar o ganho de peso médio diário dos lotes para avaliar a eficiência econômica real de cada lote terminado.

O comportamento estável dos resultados zootécnicos promovido pela tecnologia atrai principalmente pequenos e médios criadores, que encontram na ferramenta uma forma simplificada de qualificar o acabamento de gordura das carcaças. O fornecimento regular de animais de alta qualidade atende às exigências das indústrias frigoríficas modernas, que bonificam lotes padronizados e mais jovens no momento do abate.

O evento técnico da Feicorte 2026 reuniu produtores e especialistas do setor em torno de soluções integradas para o mercado de carne bovina. As demonstrações práticas trazidas pelas assessorias técnicas indicam que o avanço da terminação a pasto continuará reconfigurando a taxa de ocupação dos solos nas principais regiões pecuárias brasileiras, promovendo o uso racional e intensivo dos recursos territoriais.