
A cadeia global da carne bovina enfrenta um ciclo de reposicionamento onde as exigências do mercado se sobrepõem à produção. Na Feicorte 2026, em Presidente Prudente, o médico-veterinário Luis Burciaga analisou as transformações no comportamento do consumidor internacional e seus reflexos diretos nas fazendas brasileiras[cite: 1].
O especialista da Telus Agriculture & Consumer Goods detalhou a dinâmica de mercados maduros, como Estados Unidos, México e Canadá. Burciaga contrapôs esses cenários com as oportunidades e entraves em nações emergentes que buscam expandir a proteína animal, citando a China e a Mongólia.
Embora variáveis econômicas e ferramentas digitais sustentem as operações, a decisão final de compra pertence ao cliente. O direcionamento dos investimentos nas propriedades depende da capacidade dos produtores em decifrar essas tendências, alinhando o campo às exigências de qualidade que surgem nos centros urbanos.
"É fundamental compreendermos que a nossa atividade vai além de produzir carne, pois o objetivo central deve ser a entrega de um produto que atenda com precisão às necessidades reais e cotidianas dos consumidores", destacou o médico-veterinário Luis Burciaga na Arena Feicorte.
Ao avaliar as condições da pecuária de corte no Brasil, o palestrante reconheceu a liderança do país no comércio internacional como maior exportador global da proteína. No entanto, ressaltou que o setor ainda convive com ociosidade e possui margens para a ampliação da eficiência biológica e econômica dentro das propriedades.
O diagnóstico aponta que o país se comporta como um gigante adormecido, pois o volume enviado aos portos esconde disparidades nos índices de engorda. A otimização passa pela melhoria dos processos de terminação, fase em que o uso de suplementação e o confinamento planejado elevam o acabamento de carcaça exigido pelas indústrias.
Desafios e Alvos para a Pecuária de Corte Nacional:
Alinhamento com tendências internacionais de conveniência e experiência de consumo;
Superação de gargalos produtivos nas etapas finais de engorda dos animais terminados;
Absorção célere de tecnologias e conhecimentos validados no exterior;
Ampliação da competitividade em mercados de alto valor agregado.
A aceleração dos ganhos de desempenho na pecuária nacional baseia-se na transferência e adaptação de conhecimentos eficazes em outras potências agrícolas. O momento é propício para que os invernistas incorporem sistemas de gestão de dados, precisão nutricional e rastreabilidade que reduzam os desperdícios no cocho.
O ponto decisivo do setor exige uma postura proativa das associações e dos empresários rurais na liderança dessa modernização nas fazendas. A convergência entre as práticas sustentáveis exigidas pelos blocos econômicos e o incremento na taxa de lotação dos pastos eleva os patamares de rentabilidade por hectare.
A modernização das estruturas de confinamento e o monitoramento digital funcionam como ferramentas de blindagem contra as oscilações nos preços dos grãos. A eficiência técnica na terminação assegura que o pecuarista entregue um lote homogêneo ao frigorífico, atendendo tanto aos programas de carne premium domésticos quanto aos contratos internacionais.