Carne bovina: embarques sobem 10% e preço vai a US$ 6,5 mil
Publicado em 25/06/2026 10h53

Carne bovina: embarques sobem 10% e preço vai a US$ 6,5 mil

Exportações brasileiras de carne bovina atingem 187 mil toneladas na parcial de junho de 2026 impulsionadas pelo avanço da demanda da China.
Por: Wisley Torales

As exportações brasileiras de carne bovina in natura operam em ritmo acelerado no encerramento deste primeiro semestre, consolidando um dos períodos mais robustos do comércio exterior. O desempenho indica uma consolidação nas vendas, puxada pelo apetite contínuo dos principais compradores globais e pela valorização internacional da proteína nacional.

De acordo com a análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, os embarques somaram 187,08 mil toneladas até a terceira semana do mês. Os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam para um fluxo diário nos portos que atinge a média de 13,36 mil toneladas.

Esse volume diário representa um avanço de 10,87% quando comparado ao mesmo intervalo de junho de 2025. Se as plantas frigoríficas mantiverem a atual regularidade operacional nos sete dias úteis restantes para o fechamento do mês, o volume consolidado acumulado pode alcançar a marca histórica de 280,62 mil toneladas enviadas ao mercado externo.

Estatísticas de Embarques e Faturamento na Parcial de Junho:

  • Volume exportado até a terceira semana: 187,08 mil toneladas de carne in natura;
  • Ritmo logístico de escoamento nos portos: Média diária de 13,36 mil toneladas;
  • Valorização cambial da mercadoria: Preço médio fixado em US$ 6.526,20 por tonelada;
  • Incremento no faturamento internacional: Crescimento de 19,80% na comparação anual.

Valorização cambial e apetite internacional

O faturamento dos frigoríficos recebeu um impulso devido ao realinhamento dos preços internacionais pagos pela commodity. A cotação média da carne in natura atingiu o patamar de US$ 6.526,20 por tonelada nas plataformas de embarque, registrando expansão de 19,80% na comparação anual, refletindo a disposição de compra dos parceiros internacionais.

Os analistas explicam que esse aumento nos preços ocorre porque a carne brasileira conquistou uma posição de destaque nos canais de distribuição globais. A recomposição nos valores pagos pelos cortes desossados melhora o fluxo de caixa das companhias exportadoras e ajuda a sustentar as cotações dos animais terminados nas propriedades rurais.

Reconhecimento sanitário e expansão na Ásia

O cenário de médio e longo prazo para a pecuária recebeu novidades institucionais vindas da Ásia ao longo da última semana. O governo da China reconheceu o Brasil como um território livre de febre aftosa, uma chancela técnica que reduz as barreiras burocráticas e abre as portas para as indústrias operarem em regiões antes restritas.

Aliado ao aval sanitário, as autoridades de Pequim indicaram formalmente ao Ministério da Agricultura uma perspectiva de expansão nos volumes de proteína animal adquiridos nos próximos anos. Esse estreitamento nos laços diplomáticos e comerciais eleva o otimismo das associações de criadores, que já projetam a ampliação das plantas habilitadas.

As negociações bilaterais criam condições para que o governo brasileiro pleiteie uma revisão nas cotas tarifárias vigentes. A garantia de um mercado em expansão confere estabilidade para os confinadores planejarem as escalas de engorda do segundo semestre, garantindo o suprimento contínuo de lotes que atendam às exigências do padrão chinês.

O monitoramento das guias de trânsito emitidas para a indústria indica que a escala de abate nos principais estados segue ajustada para cumprir os cronogramas de navios fretados. A manutenção desse fluxo comercial até o último dia útil selará o faturamento das cooperativas e fechará o balanço trimestral do agronegócio em patamares elevados.