Cota China atinge 65% e derruba preço da arroba do boi em junho
Publicado em 25/06/2026 10h39

Cota China atinge 65% e derruba preço da arroba do boi em junho

Cepea registra queda no preço da arroba do boi gordo em junho de 2026 pelo recuo nas compras dos frigoríficos que exportam para a China.
Por: Wisley Torales

O mercado pecuário brasileiro apresenta um comportamento inesperado neste fechamento de primeiro semestre. Os preços da arroba do boi gordo registram retrações consecutivas na parcial deste mês, estabelecendo um movimento de desvalorização que ocorre de forma paralela a um cenário internacional de extrema escassez de proteína vermelha.

As análises indicam que os estoques globais de carne bovina operam nos menores patamares registrados desde 2006, mantendo as cotações internacionais próximas de suas máximas históricas. Segundo pesquisadores do Cepea, da Esalq/USP, o fator determinante para a retração doméstica reside no ritmo atual das exportações direcionadas à China.

As indústrias habilitadas para atender ao mercado asiático reajustaram suas estratégias de originação de matéria-prima nas últimas semanas. A desaceleração decorre do avanço acelerado no preenchimento dos limites comerciais estabelecidos para o ano corrente, reduzindo a necessidade de aquisições urgentes nos balcões.

O teto das exportações e a logística marítima

Dados oficiais divulgados pelo governo chinês revelam que o Brasil já cumpriu aproximadamente 65% da cota anual de vendas de carne bovina destinada àquele país até o encerramento do mês de maio. Diante desse fluxo contínuo de embarques nos portos nacionais, os analistas do setor projetam que a totalidade da cota comercializada seja atingida de forma integral ao longo do mês de julho.

A proximidade do teto regulatório exige planejamento logístico, considerando o tempo de trânsito dos navios. O produto congelado que deixa os terminais pode levar até 60 dias para desembarcar nos portos chineses, fazendo com que os lotes adquiridos nos pastos em junho cheguem ao destino final sob o teto da cota preenchida.

Estatísticas do Fluxo Comercial da Carne Bovina:

  • Estoques mundiais de proteína: Menores patamares observados desde 2006;

  • Cumprimento da cota chinesa até maio: Aproximadamente 65% do volume;

  • Previsão de preenchimento total do teto: Meados de julho de 2026;

  • Tempo estimado de trânsito marítimo: Até 60 dias entre os portos.

Diante do risco de sobretaxação ou de retenção de cargas excedentes na alfândega asiática, as plantas industriais focadas na exportação optaram por diminuir o ritmo de abate de machos. A menor pressão de compra exercida pelos grandes frigoríficos aumentou a disponibilidade relativa de escalas de abate no mercado físico interno, permitindo que os compradores exerçam pressão baixista nas praças produtoras.

Cautela e gestão de estoques em Pequim

A dinâmica de retração ganha contornos complexos devido às mudanças de comportamento observadas entre os importadores em Pequim e Xangai. O Cepea aponta que as empresas chinesas adotam uma postura de forte cautela nas rodadas de negociações, reduzindo a agressividade na abertura de novas ordens de compra internacionais e forçando a revisão dos preços médios em dólar por tonelada.

Esse posicionamento defensivo reflete uma política de controle dos estoques de alimentos mantidos pelo governo chinês, que tenta conter a inflação urbana. A stabilização das reservas domésticas na China retira a urgência dos compradores, permitindo que negociem com margens confortáveis diante dos fornecedores sul-americanos.

O mercado doméstico absorve parte do excedente gerado pelo recuo externo, mas o consumo limita reajustes no atacado. As indústrias focadas no mercado interno aproveitam o recuo do boi comum para recompor suas margens operacionais.

As escalas de abate das indústrias paulistas e sul-mato-grossenses mantêm estabilidade de cobertura para os próximos dias, garantindo o abastecimento das redes de varejo locais sem sobressaltos. A tendência para o fechamento do quadrimestre dependerá da abertura de novos canais de exportação para mercados alternativos, como os Estados Unidos e as nações do Oriente Médio.