Compradores recuam nos EUA e aguardam definição de tarifas do agro
Publicado em 25/06/2026 10h33

Compradores recuam nos EUA e aguardam definição de tarifas do agro

Investigação sobre tarifas de até 20 centavos por libra-peso desacelera o mercado de açúcar nos Estados Unidos nesta reta final de junho por cautela.
Por: Redação

O mercado físico de açúcar nos Estados Unidos passa por baixa liquidez, com compradores e vendedores adotando estratégias defensivas. O desaquecimento ocorre em um momento de transição de contratos e de forte expectativa em torno de decisões políticas que podem alterar as tarifas de importação da commodity.

As cotações no mercado cash permaneceram inalteradas, refletindo a espera das indústrias de alimentos e bebidas. Muitas optaram por esgotar os saldos restantes de seus contratos referentes ao ciclo 2025/26, evitando assumir novos compromissos de longo prazo em um cenário econômico indefinido.

A aproximação do fim do trimestre forçou o recálculo dos saldos contratuais. Diante da necessidade de transferir volumes remanescentes para o próximo período, o interesse por suprimentos adicionais enfraqueceu, pois o açúcar adquirido no ano passado exibia preços inferiores aos praticados no spot atual.

Postura dos vendedores e o mercado spot

As usinas norte-americanas responderam ao recuo limitando as vendas imediatas. Fornecedores suspenderam o atendimento spot para novos compradores, concentrando as entregas na carteira de clientes estabelecidos, enquanto direcionam esforços para promover as reservas contratuais da safra futura de 2026/27.

Essa paralisia reflete dúvidas sobre a demanda e o impacto das investigações comerciais de Washington. Os usuários preferem operar no curto prazo à medida que as necessidades surgem, evitando volumes elevados que correm o risco de ociosidade caso a atividade industrial desacelere.

Gargalos e incertezas no mercado de açúcar dos EUA:

  • Compradores evitam novos contratos futuros devido aos saldos antigos mais baratos;

  • Fornecedores limitam vendas spot para proteger carteiras fixas de clientes;

  • Indústrias operam sob demanda imediata à espera de definições do governo;

  • Rumores de novas tarifas aduaneiras geram compras especulativas pontuais.

Ameaça tarifária e a Seção 301

O principal elemento de volatilidade decorre das especulações sobre barreiras alfandegárias. Circulam rumores sobre a aplicação de tarifas adicionais que poderiam alcançar 10 centavos de dólar por libra-peso para o açúcar bruto e até 20 centavos de dólar por libra-peso para a variedade refinada.

As potenciais medidas estão vinculadas a uma investigação coordenada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Iniciada em março sob a Seção 301, a auditoria busca identificar se determinados países incorrem em superprodução de commodities por meio de subsídios governamentais.

Embora o açúcar não integrasse o escopo inicial da investigação, associações de produtores solicitaram ao USTR a inclusão do setor na lista de monitoramento. O órgão governamental norte-americano deve concluir as avaliações técnicas e propor as medidas fiscais definitivas até o final de julho de 2026.

Condições das lavouras nos estados produtores

A evolução das safras domésticas de beterraba sacarina e cana-de-açúcar apresenta cenários heterogêneos. O acompanhamento de campo de meados de junho indica que a maior parte das plantações exibe bom desenvolvimento vegetativo, embora distúrbios climáticos tenham afetado áreas do Meio-Oeste.

Nas lavouras de beterraba, o Colorado registra a pior situação do país, com apenas 28% da área classificada em condições boas ou excelentes, contra 75% no mesmo período do ano passado. Uma tempestade de neve tardia na primavera danificou os plantios locais.

A estabilidade em Minnesota, principal polo produtor de beterraba, garante o abastecimento, mantendo 82% de campos excelentes. Idaho e Dakota do Norte registram 80% e 77% de lavouras em patamares elevados, enquanto Oregon e Montana não forneceram dados oficiais.

Na cana-de-açúcar, as plantações da Louisiana operam na normalidade, registrando incremento semanal de um ponto percentual, com 66% da safra avaliada em nível bom ou excelente. O encerramento dos relatórios consolidará a produtividade antes da colheita.