
A tradicional avaliação de animais em pista continua sendo uma das vitrines mais importantes da pecuária nacional. No entanto, o desenvolvimento do setor exige que os critérios de seleção zootécnica estejam conectados com os resultados econômicos obtidos após o abate. O teste de eficiência ocorre quando os dados de carcaça são medidos nos frigoríficos, apontando o rendimento real que chega ao consumidor.
Essa ligação entre o melhoramento de campo, a eficiência industrial e a experiência gastronômica conduzirá as apresentações da raça Wagyu na Feicorte 2026. A Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne ocorrerá em Presidente Prudente, no interior paulista, de 23 a 26 de junho. O evento reunirá pecuaristas e marcas de carne que buscam alinhar a produção às exigências de mercados de alto padrão.
A Guidara Meat & Co participará da programação cobrindo desde o fomento aos projetos genéticos até a oferta de cortes comerciais. A empresa busca demonstrar como os dados coletados nos diferentes elos aceleram o ganho genético da raça no território brasileiro. Essa estratégia encurta a distância entre os criadores que fazem a seleção base e as demandas do mercado consumidor.
O mercado de carnes no Brasil passa por transformações que alteram o comportamento dos compradores. O consumidor demonstra interesse acentuado em conhecer o histórico do alimento, valorizando a procedência e a segurança dos processos aplicados no campo. Essa postura incentiva os produtores a adotarem sistemas transparentes, nos quais a qualidade se une à eficiência comercial.
Destaque: A integração entre os dados obtidos nos frigoríficos e as decisões tomadas nos plantéis de seleção acelera a entrega de marmoreio exigida pelo mercado premium.
O CEO da Guidara Meat & Co, Daniel Steinbruch, aponta que existe um crescimento consolidado na procura por atributos de origem e rastreabilidade. Diante desse cenário, o executivo pondera que os setores de melhoramento animal e as plantas de processamento precisam atuar em parceria contínua. Esse alinhamento garante que os investimentos em genética gerem lotes homogêneos.
Para a médica veterinária Tatiana Caruso, da Wagyu Brasil, o sucesso de qualquer programa de seleção depende da validação prática dos abates. A profissional explica que as planilhas de avaliação de carcaça servem como guias para identificar quais touros e matrizes transmitem as características de interesse comercial. O ganho de marmoreio, responsável pela maciez da carne, é medido nessa etapa.
Embora o foco no desempenho industrial ganhe relevância nas planilhas, as apresentações em pistas preservam uma função promocional estratégica. Esses momentos funcionam como ponto de encontro para difusão de tecnologias e permitem que novos investidores conheçam a morfologia dos animais. A exposição ajuda a balizar os rumos da raça, assegurando que o gado mantenha aprumos funcionais.
A validação prática dos cortes premium ocorrerá durante o Beef Hour, espaço gastronômico no qual os visitantes poderão degustar a carne Wagyu produzida no país. A dinâmica permite que o pecuarista avalie o produto final da seleção, entendendo o valor que o marmoreio proporciona ao paladar. Essa experiência demonstra a viabilidade do investimento em cruzamentos voltados à alta qualidade.
Destaque: Durante a feira, haverá a destinação de sêmen do touro Samurai para um leilão beneficente, unindo o avanço zootécnico ao apoio a ações sociais.
Além das atividades técnicas, os representantes da cadeia produtiva participarão de um leilão beneficente na feira. A Wagyu Brasil, em parceria com o Rancho Santa Barbara, doará um lote de sêmen do touro Samurai, reprodutor de destaque nos sumários. Toda a receita obtida com a venda desse material genético será repassada para as entidades de assistência social apoiadas pelo evento em Presidente Prudente.