A distinção entre espécie e cepa microbiana é um dos conceitos mais relevantes da microbiologia aplicada aos bioinsumos agrícolas. Segundo Marcus Lourenço “Polé”, biólogo, compreender essa diferença é essencial para avaliar o potencial real dos microrganismos utilizados na agricultura e na biotecnologia.
Embora os termos sejam frequentemente tratados como sinônimos, espécie e cepa representam níveis biológicos diferentes. A espécie reúne microrganismos com características genéticas, fisiológicas e evolutivas semelhantes. Já a cepa corresponde a uma população específica dentro dessa espécie, com propriedades próprias e identificáveis.
A confusão entre os conceitos leva muitas pessoas a acreditar que conhecer a espécie é suficiente para prever o desempenho de um microrganismo no campo. No entanto, a ciência mostra que cepas diferentes de uma mesma espécie podem apresentar comportamentos distintos e capacidades específicas. Entre elas estão a promoção do crescimento vegetal, o controle de doenças e a produção de metabólitos de interesse agronômico.
De acordo com o material apresentado por Marcus Lourenço “Polé”, todos os indivíduos de uma mesma espécie possuem as mesmas capacidades funcionais em potencial, mas a presença, ausência ou intensidade dessas características pode variar entre as cepas. Por isso, em microbiologia aplicada, a identificação da cepa é considerada decisiva para a escolha de produtos biológicos mais eficientes.
Ferramentas da biologia molecular, como o sequenciamento de genes, o Multi Locus Sequence Typing e análises genômicas, permitem diferenciar cepas com alta precisão. Essas informações ajudam a identificar genes relacionados à promoção do crescimento vegetal, ao controle biológico, à produção de metabólitos e à adaptação ambiental.