
As precipitações que atingiram as principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do estado de São Paulo alteraram a dinâmica de abastecimento do mercado de biocombustíveis. Essas instabilidades climáticas provocaram interrupções pontuais nos trabalhos de colheita nas usinas paulistas, reduzindo a disponibilidade imediata de combustível novo nas plataformas. Como o processamento nas indústrias depende do fluxo contínuo de matéria-prima, paralisações no corte da cana afetam a oferta.
Essa retração momentânea na quantidade disponível para entrega rápida acabou sustentando e elevando ligeiramente as cotações do produto nas usinas. O movimento ocorre em um período de safra, momento em que o preço costuma registrar comportamento oposto devido ao pico de produção no Centro-Sul. No entanto, o fator climático funcionou como um freio temporário, ajustando a relação entre a quantidade disponível e a procura das distribuidoras.
Destaque: As interrupções provocadas pelas chuvas limitaram o volume de combustível disponível para pronta entrega, forçando uma valorização nas cotações praticadas pelas usinas de São Paulo.
De acordo com as análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os produtores adotam uma postura firme no mercado físico. A maioria das usinas prefere priorizar contratos de longo prazo, participando do spot somente quando necessita gerar receita para as operações. Essa resistência cria um suporte que dificulta a negociação de lotes com descontos expressivos.
Pelo lado da demanda, as empresas distribuidoras de combustíveis demonstraram um comportamento mais ativo, ampliando o volume de aquisições na última semana. Houve uma aceleração na busca tanto por etanol anidro, que é misturado à gasolina, quanto por etanol hidratado, comercializado diretamente nas bombas. Essa movimentação das compradoras indica uma necessidade de recomposição de estoques operacionais diante da menor oferta imediata nas plataformas logísticas.
Os dados coletados pelo Cepea revelam a dimensão desse aquecimento nas negociações dentro do ambiente spot paulista. O volume comercializado de etanol anidro mais que dobrou na comparação semanal, confirmando que as companhias distribuidoras buscaram garantir o aditivo para a gasolina em um momento de moagem lenta. Esse salto mostra que, apesar dos preços ligeiramente mais altos, a necessidade de garantir o produto superou as tentativas de pressionar os valores para baixo.
O mercado de etanol hidratado acompanhou essa tendência de aceleração, registrando um crescimento expressivo de 81,5% no volume negociado no mesmo período de comparação. A alta procura pelo combustível direto reflete a busca por competitividade nos postos, onde a relação de paridade com a gasolina segue monitorada pelos consumidores. O forte incremento nas vendas indica que as distribuidoras preferiram antecipar compras a esperar por novas janelas de queda de preço.
Destaque: As negociações de etanol anidro dobraram em uma semana, enquanto o volume de hidratado saltou 81,5% no mercado spot do estado de São Paulo.
Mesmo com esse cenário de curto prazo marcado pela valorização, o planejamento estratégico do setor sucroenergético mantém uma projeção clara. Os agentes do mercado operam cientes de que a expectativa para a safra 2026/27 ainda aponta para uma oferta global elevada de biocombustível ao longo dos próximos meses. Essa percepção de abundância futura impede que as valorizações atuais se transformem em uma tendência prolongada de alta nas cotações de balcão.
As usinas paulistas possuem capacidade instalada para recuperar o atraso na moagem assim que o clima permitir o retorno das colhedoras ao campo. A velocidade com que os estoques reguladores serão recompostos determinará a intensidade das flutuações de preços nas próximas semanas. O Cepea aponta que os negócios mantêm liquidez concentrada nas transações de curto prazo, enquanto o mercado futuro calibra las projeções de moagem das próximas variedades de cana.