Grãos abrem a semana em queda com alívio geopolítico no Oriente Médio
Publicado em 15/06/2026 11h51

Grãos abrem a semana em queda com alívio geopolítico no Oriente Médio

Nesta segunda-feira (15 de junho de 2026), os mercados de trigo, soja e milho abriram a semana sob forte pressão de baixa em Chicago e no Brasil, influenciados pelo recuo do petróleo e pela redução do prêmio de risco geopolítico no Oriente Médio.
Por: Redação

O mercado internacional de commodities agrícolas iniciou a segunda quinzena de junho operando em terreno negativo. De acordo com a análise da TF Agroeconômica, a abertura das bolsas nesta segunda-feira (15) foi diretamente impactada por ventos diplomáticos vindos do hemisfério norte. A sinalização de um possível avanço nas negociações de acordo entre os Estados Unidos e o Irã removeu parte do prêmio de risco que sustentava os preços, trazendo um alívio imediato às tensões logísticas globais.

A perspectiva de normalização total do tráfego de navios no Estreito de Ormuz — canal vital para o escoamento energético mundial — destravou o fluxo comercial para importantes regiões importadoras. Como reflexo direto, o petróleo registrou desvalorização, arrastando consigo os contratos futuros de grãos e reduzindo a competitividade imediata dos biocombustíveis no mercado internacional.

Trigo recua em Chicago, mas perdas são limitadas nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o complexo do trigo registrou baixas nos vencimentos de curto e médio prazo. O contrato para julho de 2026 recuou 9,00 centavos, negociado a US$ 575,50 por bushel, enquanto a posição para dezembro caiu 9,75 centavos, cotada a US$ 602,25. O movimento altista só não foi mais agressivo porque os analistas ainda computam os impactos da quebra de safra do trigo de inverno do tipo HRW (Hard Red Winter) nos Estados Unidos.

No mercado físico brasileiro, o reflexo das quedas externas foi absorvido de maneira tímida pelos moinhos. No Paraná, principal estado produtor nacional, a tonelada recuou ligeiros 0,07%, fechando a R$ 1.376,96. Já no Rio Grande do Sul, a calmaria ditou o ritmo dos negócios, mantendo a cotação média estável no patamar de R$ 1.325,29 por tonelada.

Fechamento do mercado de grãos (abertura da semana)

 

Cultura / Contrato Bolsa de Referência Preço Praticado Variação / Fechamento
Trigo (Julho/26) CBOT (Chicago) US$ 575,50 / bushel -9,00 centavos
Trigo (Dezembro/26) CBOT (Chicago) US$ 602,25 / bushel -9,75 centavos
Soja (Julho/26) CBOT (Chicago) US$ 1.100,00 / bushel -5,40 centavos
Soja (Maio/27) CBOT (Chicago) US$ 1.158,25 / bushel -4,00 centavos
Milho (Julho/26) CBOT (Chicago) US$ 408,00 / bushel -4,75 centavos
Milho (Julho/26) B3 (Brasil) R$ 64,05 / saca -0,20%

Soja sofre com queda do óleo e avanço do plantio americano

O mercado da soja também abriu a sessão no vermelho na CBOT. O vencimento de julho de 2026 encolheu 5,40 centavos, fixando-se em US$ 1.100,00 por bushel, enquanto o contrato de maio de 2027 teve perdas de 4,00 centavos, encerrando a US$ 1.158,25. Além da correlação negativa com o óleo de soja — que perdeu força acompanhando o tombo do petróleo —, o clima amplamente favorável ao desenvolvimento das lavouras e o avanço acelerado do plantio no Meio-Oeste americano jogaram contra os preços.

REFLEXO NOS PORTOS NACIONAIS No mercado disponível brasileiro, a combinação de Chicago em queda com a calmaria no câmbio pressionou as praças de comercialização. O interior do Paraná registrou desvalorização de 0,83%, recuando para R$ 124,69 por saca, enquanto no porto de Paranaguá a queda foi ainda mais acentuada, recuando 1,46% para fechar o dia cotada a R$ 129,85.

Milho opera no vermelho com folga de oferta na América do Sul

O milho acompanhou o movimento de liquidação generalizada das commodities e operou no campo negativo nas telas internacionais. O contrato de julho de 2026 na CBOT recuou 4,75 centavos, cotado a US$ 408,00 por bushel. Na bolsa brasileira B3, o contrato de julho seguiu o viés externo e fechou cotado a R$ 64,05 por saca de 60 quilos, representando uma oscilação negativa de 0,20%.

Os compradores domésticos e internacionais continuam operando em uma posição confortável de barganha devido às estimativas robustas de oferta na América do Sul. Com os números elevados de produção consolidados para o Brasil, Argentina e Paraguai nesta temporada, as indústrias de ração preferem comprar da mão para a boca, aguardando novas rodadas de baixa. Sem fatos novos que justifiquem reações de alta, o rumo do mercado no encerramento do mês continuará estritamente dependente do clima norte-americano e da demanda de exportação.