O mercado nacional de piscicultura vive um momento de transição nas principais regiões produtoras do país. Ao longo do mês de maio de 2026, os preços da tilápia registraram movimentos divergentes. Em praças onde a oferta de peixes prontos para a despesca permaneceu restrita, os produtores conseguiram negociar com viés de alta. Contudo, em outros polos, o enfraquecimento da demanda — provocado especialmente pelo ritmo mais cadenciado de compras por parte dos frigoríficos — acabou forçando o recuo nas cotações.
A partir de agora, a tendência natural é de um incremento gradual na disponibilidade de matéria-prima no mercado interno. Com a chegada do inverno e o manejo nutricional acumulado, os peixes começam a ganhar peso mais rapidamente nas estruturas de tanques-rede e viveiros escavados. Esse desenvolvimento biológico eleva a biomassa total disponível para o abate, exercendo uma pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos criadores.
Os reflexos desse aumento sazonal de oferta e da cautela das indústrias processadoras já se fizeram notar logo na abertura do mês. De acordo com o fechamento do indicador apurado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a primeira semana de junho (período entre 1º e 5 de junho) consolidou a tendência de baixa nas principais referências de comercialização do país.
Na área dos Grandes Lagos, importante polo produtor localizado na divisa entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, a cotação média da tilápia operou em queda, aproximando-se do suporte dos dez reais por quilo. No oeste do Paraná, principal estado produtor da federação, o comportamento foi semelhante, exibindo desvalorização pontual nas negociações físicas entre integrados e cooperativas.
| Região de Referência | Preço Médio Praticado (R$/kg) | Variação Semanal (%) |
| Grandes Lagos (SP/MS) | 10,03 | -0,53% |
| Oeste do Paraná | 8,82 | -0,14% |
Se o cenário interno sinaliza acomodação, o mercado internacional foi marcado por forte dinamismo em maio. Os embarques brasileiros de tilápia e de seus subprodutos secundários registraram um salto expressivo, alcançando o maior volume mensal acumulado de 2026. Trata-se do melhor desempenho de exportação do setor desde junho de 2025, época em que o comércio com o exterior ainda não sofria os impactos das restrições tarifárias norte-americanas.
Apesar do fôlego renovado nos portos, o horizonte de curto prazo exige atenção redobrada dos frigoríficos exportadores. O governo dos Estados Unidos anunciou recentemente um novo pacote de tarifas aduaneiras que promete atingir diretamente a proteína aquática de origem brasileira. Com previsão de entrada em vigor para o próximo mês de julho, a medida deve elevar os custos de importação na América do Norte, ameaçando desacelerar os embarques e redirecionar o excedente de produção de volta para o mercado atacadista doméstico.
ALERTA PARA O PLANEJAMENTO DA DESPESCA
A combinação de peixes mais pesados nos tanques com a iminência de barreiras alfandegárias nos EUA em julho pode gerar um cenário de sobreoferta interna no segundo semestre, exigindo do piscicultor um controle rígido dos custos com ração.
Diante desse cenário de transição, os técnicos recomendam que os produtores evitem o prolongamento excessivo do ciclo de cultivo para não inflacionar o Custo de Conversão Alimentar (CCA). O manejo estratégico da densidade populacional nos tanques e o escalonamento das vendas tornam-se ferramentas indispensáveis para proteger as margens financeiras da atividade frente à volatilidade esperada para as próximas semanas.