Importação de glifosato despenca no Brasil
Publicado em 08/06/2026 10h35

Importação de glifosato despenca no Brasil

A retração ocorre após um ano em que as compras externas haviam somado 71,5 mil tons.
Por: Leonardo Gottems

A retração ocorre após um ano em que as compras externas haviam somado 71,5 mil toneladas - Foto: Leonardo Gottems

As importações brasileiras de glifosato perderam ritmo nos primeiros cinco meses de 2026, em um movimento que indica desaceleração no abastecimento externo de um dos herbicidas mais utilizados nas lavouras do país. De acordo com levantamento da AMR Business Intelligence, com base em dados do MDIC, o Brasil importou 57,3 mil toneladas do produto entre janeiro e maio deste ano, volume 20% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

A retração ocorre após um ano em que as compras externas haviam somado 71,5 mil toneladas no intervalo analisado. O resultado de 2026 também fica abaixo do pico observado em 2022, quando as importações chegaram a 108,6 mil toneladas entre janeiro e maio, maior volume da série apresentada. Desde então, o comportamento das aquisições tem mostrado oscilações, com queda em 2023, recuperação parcial em 2024 e novo avanço em 2025, antes da desaceleração registrada neste ano.

A série histórica mostra que o volume importado em 2026 ainda supera os patamares de alguns anos anteriores, como 2017, quando foram adquiridas 16 mil toneladas, 2018, com 23,8 mil toneladas, 2021, com 29,2 mil toneladas, e 2023, com 27,7 mil toneladas. Por outro lado, o resultado atual permanece abaixo dos níveis de 2019, quando as compras somaram 54,2 mil toneladas, em patamar próximo ao deste ano, e de 2020, com 43,7 mil toneladas, considerando a trajetória irregular do mercado no período.

Na distribuição por origem, a China manteve ampla liderança no fornecimento de glifosato ao Brasil. O país asiático respondeu por 84% do total importado entre janeiro e maio de 2026, reforçando sua posição como principal fornecedor do insumo ao mercado brasileiro. Os Estados Unidos ficaram com os 16% restantes, sem participação de outras origens no volume informado para o período.

O desempenho aponta para um abastecimento mais lento em relação ao ano anterior, ainda que concentrado nos mesmos principais fornecedores. A queda de 20% nas importações sugere um ajuste no ritmo de entrada do produto no país, em um mercado marcado por variações relevantes ao longo dos últimos anos.