
O cenário do comércio exterior brasileiro apresentou movimentações divergentes entre os seus principais parceiros econômicos no fechamento de maio de 2026. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publicou as estatísticas detalhadas que revelam a consolidação da liderança asiática e uma retração nos negócios com as nações do continente americano. Esse arranjo geopolítico redesenha as estratégias de mercado dos exportadores nacionais.
A República Popular da China preservou com folga o posto de principal destino das mercadorias brasileiras. Ao longo de maio, os embarques destinados ao mercado chinês cresceram 9,5%, somando US$ 10,50 bilhões. Pelo lado das importações, o avanço foi de 24,2%, elevando os gastos com produtos daquele país para US$ 6,80 bilhões. Essa intensa movimentação gerou um superávit comercial de US$ 3,70 bilhões para as empresas nacionais, enquanto a corrente de comércio avançou 14,8%, atingindo US$ 17,30 bilhões.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, as vendas externas rumo à China exibiram uma expansão acentuada de 21,8%, aportando US$ 46,26 bilhões para as contas do país. As importações de produtos chineses cresceram de forma moderada, anotando uma alta de 4,1% para fechar o balanço em US$ 30,76 bilhões. Dessa forma, o saldo positivo acumulado na relação comercial com o gigante asiático atingiu a cifra de US$ 15,50 bilhões, com a corrente de comércio acumulada somando US$ 77,02 bilhões.
| Parceiro Econômico | Exportações (US$) | Importações (US$) | Saldo da Balança (US$) | Variação da Corrente |
| China | 10,50 bilhões | 6,80 bilhões | +3,70 bilhões | +14,8% |
| União Europeia | 4,91 bilhões | 4,01 bilhões | +900 milhões | +1,2% |
| Estados Unidos | 3,09 bilhões | 3,21 bilhões | -120 milhões | -12,5% |
| Argentina | 1,33 bilhão | 1,19 bilhão | +130 milhões |
Em oposição ao dinamismo asiático, o relacionamento comercial com os Estados Unidos enfrentou ventos contrários. Em maio, as vendas de produtos brasileiros para o mercado norte-americano recuaram 14%, totalizando US$ 3,09 bilhões. As compras de mercadorias americanas pelo Brasil acompanharam o movimento de retração, caindo 11% para encerrar o período em US$ 3,21 bilhões. O encolhimento das trocas bilaterais empurrou a balança comercial com Washington para um déficit mensal de US$ 120 milhões.
A corrente de comércio agregada com os Estados Unidos sofreu uma contração de 12,5% no mês, recuando para US$ 6,30 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, as exportações caíram 16%, somando US$ 14,01 bilhões, e as importações recuaram 12,6%, para US$ 15,48 bilhões. O saldo final desse intercâmbio comercial gerou um déficit acumulado de US$ 1,47 bilhão contra o Brasil, enquanto a corrente de comércio do período contraiu 14,3%, fechando em US$ 29,49 bilhões.
Por outro lado, o bloco da União Europeia demonstrou estabilidade nas compras de commodities brasileiras. As exportações direcionadas aos países europeus cresceram 8,8% em maio, atingindo a cifra de US$ 4,91 bilhões. As importações de produtos europeus pelo Brasil registraram queda de 6,9%, encerrando o mês em US$ 4,01 bilhões. Essa configuração de alta nas vendas e queda nas compras gerou um superávit comercial mensal de US$ 900 milhões para os exportadores nacionais.
A corrente de comércio com a União Europeia registreu expansão de 1,2% em maio, somando US$ 8,92 bilhões. No acumulado de janeiro a maio, as vendas avançaram 6,7%, alcançando US$ 21,81 bilhões, e as importações caíram 3,4%, situando-se em US$ 19,55 bilhões. A dinâmica consolidou um saldo comercial positivo acumulado de US$ 2,26 bilhões para o Brasil, com a corrente de comércio somando US$ 41,37 bilhões, o que representa uma alta de 1,7% na comparação anual.
No âmbito regional do Mercosul, a relação comercial com a Argentina atravessa um ciclo de forte retração. Em maio de 2026, as vendas brasileiras direcionadas ao parceiro vizinho sofreram desvalorização acentuada de 21,7%, gerando receita de US$ 1,33 bilhão. As importações de itens argentinos avançaram 2,8%, situando-se em US$ 1,19 bilhão. O resultado gerou um superávit comercial mensal de US$ 130 milhões para o Brasil, enquanto a corrente de comércio recuou 11,8%, somando US$ 2,52 bilhões.
No acumulado de janeiro a maio, as vendas brasileiras para a Argentina caíram 19,6%, para US$ 6,03 bilhões, enquanto as importações cresceram 0,9%, chegando a US$ 5,12 bilhões. O saldo acumulado permaneceu favorável ao Brasil em US$ 910 milhões, mas a corrente de comércio diminuiu 11,3%, fixando-se em US$ 11,14 bilhões. O direcionamento de excedentes produtivos para os mercados em expansão baliza as estratégias logísticas do setor produtivo nacional, com os dados oficiais disponibilizados para consulta pela Secex.