
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, divulgou o balanço das trocas internacionais brasileiras de maio de 2026. Os dados oficiais apontam que o país obteve um superávit comercial de US$ 8 bilhões no período, resultado de exportações que totalizaram US$ 32 bilhões frente a despesas com importações na ordem de US$ 24,1 bilhões, gerando uma corrente de comércio de US$ 56 bilhões.
Na comparação interanual com maio de 2025, o faturamento com os embarques cresceu 6,6%, saltando de US$ 29,92 bilhões para US$ 31,9 bilhões. Pelo lado das aquisições de produtos estrangeiros, o avanço verificado foi de 5,3%, partindo de US$ 22,86 bilhões para atingir o montante de US$ 24,08 bilhões, o que determinou um crescimento de 6,1% na movimentação alfandegária geral.
O setor agropecuário manteve sua posição de motor econômico da balança comercial. As vendas externas desse segmento alcançaram o montante de US$ 8,15 bilhões em maio, representando um incremento de US$ 730 milhões, índice que se traduz em uma aceleração de 9,8% se confrontado com o mesmo intervalo de tempo verificado no ano anterior.
Esse crescimento foi sustentado por commodities que registraram forte tração internacional. Os embarques de milho não moído lideraram os ganhos percentuais com uma elevação de 267,2%, acompanhados pelo avanço nas vendas de soja, que cresceram 14,6%, e do algodão em bruto, cujo incremento atingiu o patamar de 45,3% no fechamento mensal.
Na indústria de transformação, as exportações alcançaram US$ 16,63 bilhões, avanço de 9%. O principal vetor de crescimento nessa categoria foi o comércio de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, cujos embarques internacionais apresentaram uma evolução de 50,2% em valor, acompanhados por óleos combustíveis e ouro não monetário.
PRODUTOS COM MAIOR CRESCIMENTO NAS EXPORTAÇÕES DE MAIO
Milho não moído: Expansão de 267,2% nos embarques internacionais.
Carne bovina fresca ou congelada: Alta de 50,2% no faturamento mensal.
Algodão em bruto: Crescimento de 45,3% nas vendas ao exterior.
Soja em grão: Incremento de 14,6% nas exportações consolidadas.
Por outro lado, o relatório da Secex aponta que nem todas as cadeias agrícolas registraram desempenho positivo no mês. O setor de café não torrado enfrentou uma retração de 24,5% nos seus embarques, enquanto as exportações de tabaco em bruto recuaram 83,4%. Houve reduções localizadas no comércio internacional de açúcar e de celulose.
A análise das aquisições de bens internacionais revela o comportamento das cadeias produtivas internas. A indústria de transformação lideraram a pauta de compras externas, movimentando US$ 22,6 bilhões. Os principais itens que impulsionaram as importações nesse segmento foram os combustíveis, componentes eletrônicos e veículos automóveis de passageiros.
Em contrapartida, as importações ligadas diretamente ao setor agropecuário somaram US$ 460 milhões no mês, registrando um recuo de 7,8% na comparação anual. Esse decréscimo foi influenciado pela menor necessidade de compras de produtos tradicionais como o trigo e a cevada, além de uma redução na entrada de frutas frescas importadas no país.
A indústria extrativa registrou gastos de US$ 860 milhões com importações em maio, amargando uma queda de 10,1% em relação ao ano passado. Nesse setor, as principais aquisições concentraram-se em fertilizantes brutos, carvão mineral e linhita, insumos que dão suporte direto ao suprimento de adubos utilizados pelas lavouras nacionais.
Ao estender a análise para os primeiros cinco meses de 2026, os números consolidam a solidez do comércio exterior. O faturamento acumulado com as vendas externas alcançou a marca de US$ 148,57 bilhões, registrando um crescimento de 8,7% frente aos US$ 136,68 bilhões do mesmo período de 2025. As compras internacionais totalizaram US$ 115,91 bilhões.
Dessa forma, a corrente de comércio acumulada atingiu o montante de US$ 264,48 bilhões entre janeiro e maio, exibindo uma expansão de 6,2%. O saldo comercial positivo acumulado fixou-se em US$ 33 bilhões, fornecendo liquidez em moeda estrangeira para a economia.
O agronegócio ampliou sua receita de exportação em US$ 2,36 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, o que representa uma evolução de 7,3% e eleva o faturamento acumulado do setor para US$ 34,53 bilhões. O desempenho foi capitaneado pelo volume contínuo de embarques de animais vivos, milho e soja, que compensaram as quedas em trigo e centeio.
No que se refere às compras internacionais acumuladas no ano, a agropecuária registrou uma economia de US$ 530 milhões, fechando o período em US$ 2,26 bilhões. A indústria de transformação, por sua vez, elevou seus desembolsos em US$ 4,34 bilhões, atingindo US$ 108,15 bilhões, impulsionada pela importação de soja, minério de ferro e carvão mineral.
Paralelamente, os gastos acumulados com a importação de defensivos agrícolas, produtos laminados de aço, motores e máquinas não elétricas registraram contração no acumulado até maio, conforme os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior.