Trigo: hora de vender ou segurar estoque?
Publicado em 01/06/2026 08h42

Trigo: hora de vender ou segurar estoque?

Em relação à safra 2026/27, a recomendação é não fixar grandes volumes.
Por: Leonardo Gottems

O mercado do trigo atravessa um momento de cautela, com pressão externa no curto prazo, mas com sinais de sustentação no Brasil diante da oferta restrita e da preocupação com a qualidade do cereal. Segundo análise da TF Agroeconômica, as recomendações indicam uma postura seletiva, com produtores evitando vendas agressivas, cooperativas reforçando a originação de trigo superior e moinhos antecipando parte das compras para reduzir riscos no segundo semestre.

Para os produtores com trigo disponível da safra atual, a orientação é manter parcela relevante armazenada e aproveitar apenas oportunidades pontuais de comercialização. No Paraná, a referência indicada é acima de R$ 1.360 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul as vendas parciais passam a ser recomendadas acima de R$ 1.320 por tonelada. A avaliação é que a relação entre risco e retorno ainda favorece a retenção de parte dos estoques, especialmente pela possibilidade de valorização mais adiante.

Em relação à safra 2026/27, a recomendação é não fixar grandes volumes neste momento. As vendas devem ocorrer de forma escalonada e voltadas principalmente à cobertura de custos, preservando participação em possíveis altas futuras. A análise também aponta que, onde ainda houver possibilidade de plantio, o aumento de área pode ser considerado, diante da expectativa de preços mais firmes em 2027. O fundamento é a combinação entre possível menor oferta nacional, maior dependência de importações e escassez de trigo de qualidade.

Para as cooperativas, o foco deve estar na intensificação da originação de trigo superior, na garantia antecipada de contratos de armazenagem e no monitoramento de alternativas de importação fora do Mercosul. Também é recomendada a adoção de estratégias de hedge para proteção de margens, em um ambiente de maior instabilidade externa.

Entre os moinhos, a recomendação é evitar uma posição excessivamente descoberta para o segundo semestre. Momentos de fraqueza em Chicago podem ser usados para fixações parciais, especialmente próximos aos níveis de suporte. A antecipação de compras de trigo panificável e a avaliação de origens alternativas, como Estados Unidos e Rússia, ganham importância diante do risco de oferta limitada no mercado interno.