Tecnologia catarinense reduz deriva e atrai grandes grupos do agro
Publicado em 27/05/2026 14h00

Tecnologia catarinense reduz deriva e atrai grandes grupos do agro

A agtech Agsafe desenvolveu uma tecnologia baseada em inteligência artificial para monitorar variáveis e mitigar riscos de deriva de defensivos em lavouras brasileiras nesta temporada de 2026.
Por: Emerson Alves

A dispersão descontrolada de defensivos agrícolas durante as pulverizações nas lavouras brasileiras, fenômeno conhecido no meio técnico como deriva, representa um dos maiores gargalos operacionais e financeiros da agricultura moderna. O deslocamento da névoa para fora do alvo original atinge plantações vizinhas, dizima apiários e compromete a certificação de cultivos orgânicos. Esse cenário resulta em perdas financeiras severas e passivos jurídicos complexos para as grandes empresas do setor.

Para mitigar esses riscos e estabilizar as margens operacionais, o mercado de tecnologia agrícola direciona investimentos para soluções de alta previsibilidade. A agtech catarinense Agsafe desenvolveu uma plataforma computacional baseada em inteligência artificial que monitora em tempo real as variáveis climáticas e os parâmetros mecânicos das máquinas, gerando segurança para os gerentes de campo.

A ferramenta realiza a leitura preditiva de fatores ambientais, como a velocidade do vento, a umidade relativa do ar e a temperatura instantânea no momento da aplicação. Cruzando esses dados com o tipo de bico de pulverização e a pressão de trabalho adotada pelo operador, o sistema emite alertas prévios de perdas. A coordenação das atividades ganha eficiência ao evitar a pulverização em janelas climáticas desfavoráveis.

Prejuízo Sistêmico: A falta de controle nas aplicações de defensivos gera conflitos judiciais entre produtores de diferentes culturas e eleva o custo de produção na safra.

Além de atuar na contenção dos danos imediatos, a plataforma cria um banco de dados auditável que registra o histórico completo de cada operação mecanizada. Essa rastreabilidade simplificada atende às exigências crescentes de fundos de investimento internacionais, seguradoras agrícolas e órgãos de fiscalização sanitária, que demandam relatórios de conformidade socioambiental.

A inteligência artificial da empresa opera sob a premissa de que o produtor rural necessita de soluções integradas aos sistemas de gestão que ele já utiliza na propriedade. O ecossistema de ferramentas conecta os dados de telemetria das máquinas aos mapas de satélite, apontando de forma detalhada onde estão os cultivos sensíveis e as áreas de preservação ambiental nas proximidades da zona de manejo.

Origem na academia e conhecimento prático

A estrutura da startup foi desenhada no ano de 2020 pelos empreendedores Maicon Romera e Antonio Loures, durante a convivência acadêmica no MBA em Agronegócios da Esalq/USP. A escolha da instituição como base de validação teórica permitiu o acesso a pesquisas de ponta sobre tecnologia de aplicação. Os fundadores decidiram focar os estudos na resolução de problemas estatísticos que afetam a rentabilidade das fazendas.

Maicon Romera possui experiência construída na formulação de políticas públicas e no mercado de comércio exterior, tendo atuado como contratado especial do Ministério da Agricultura e Pecuária. Sua passagem por grandes trading companies de atuação global forneceu o entendimento necessário sobre as exigências de sustentabilidade dos compradores internacionais, conhecimento integrado diretamente ao modelo de negócios da agtech.

O cofundador Antonio Loures agrega ao projeto uma bagagem comercial sólida no mercado de insumos e na prestação de serviços especializados para o campo. A vivência nas fazendas do Centro-Oeste permitiu mapear as dores reais dos operadores de máquinas e a dificuldade de manter a padronização das pulverizações em áreas que sofrem com mudanças bruscas de vento ao longo do dia.

Internacionalização e o ecossistema de inovação

A operação da Agsafe reflete uma tendência recente de internacionalização das startups nascidas no Brasil. A liderança da empresa divide a rotina de trabalho entre as principais fronteiras agrícolas nacionais e os centros financeiros de Singapura, local reconhecido como um dos ecossistemas de inovação e desenvolvimento biotecnológico mais dinâmicos do continente asiático.

Essa ponte internacional conecta os desafios de escala da agricultura tropical às soluções de ponta desenvolvidas nos laboratórios globais. O intercâmbio tecnológico acelera o refinamento dos algoritmos de aprendizado de máquina, permitindo que a plataforma processe volumes massivos de dados meteorológicos com menor tempo de resposta, uma vantagem de mercado nas janelas apertadas de manejo.

Conexão Global: A inserção das tecnologias nacionais em ecossistemas asiáticos abre espaço para a exportação de inteligência de processos aplicada ao campo.

O atendimento a grandes grupos agrícolas e agroindústrias consolida a validação comercial da ferramenta no território nacional nesta temporada de 2026. As empresas adotam o sistema para proteger investimentos em lavouras de alto valor biológico e para certificar que os defensivos químicos sejam depositados estritamente sobre a cultura alvo, reduzindo o desperdício de insumos caros.

Os escritórios de engenharia da startup continuam atualizando os módulos de conectividade para garantir o funcionamento do sistema em regiões que sofrem com a baixa cobertura de internet celular. O armazenamento de dados em modo offline permite que o monitoramento ocorra sem interrupções nos talhões mais distantes, sincronizando as informações com os servidores assim que a máquina retorna ao pátio da sede.