
O mercado físico do boi gordo em São Paulo abriu os negócios desta terça-feira mantendo um cenário de estabilidade nas cotações de todas as categorias destinadas ao abate. Segundo o informativo divulgado pela Scot Consultoria, embora os preços nominais não tenham registrado oscilações na comparação diária, observou-se uma movimentação mais intensa por parte das indústrias compradoras, que tentaram acelerar o ritmo de preenchimento de suas escalas após um início de semana retraído.
Esse aumento na atividade das empresas compradoras ocorre logo após uma tentativa de pressionar o mercado de balcão para baixo. Durante os dias anteriores, diversas indústrias frigoríficas paulistas que detinham escalas de abate mais confortáveis testaram a resistência das linhas de preço, ofertando valores abaixo das referências vigentes, porém a estratégia encontrou forte oposição no campo e acabou naufragando devido à postura firme dos pecuaristas rurais.
Os produtores decidiram reter os lotes terminados em vez de aceitar as ofertas depreciadas, estabelecendo um piso bem definido para as negociações da arroba. Essa retenção estratégica forçou os frigoríficos a abandonarem as tentativas de pressão baixista e a retomarem as compras dentro dos patamares normais, garantindo que a programação de abates continuasse operando sem sobressaltos ou risco de ociosidade nas linhas de desossa.
Atualmente, os frigoríficos instalados em território paulista trabalham com escalas de abate programadas para cobrir um período médio de dez dias, patamar considerado padrão para esta época do ano. Esse prazo confere um fôlego operacional seguro para as empresas gerenciarem os estoques de carne nos canais de distribuição internos, permitindo que as compras diárias sigam um fluxo cadenciado e sem a necessidade de disputas agressivas por lotes de pasto.
Escala de Abate: As indústrias frigoríficas de São Paulo operam com uma programação média de dez dias, equilibrando a oferta disponível com a demanda de carne.
O panorama de preços apresenta variações pontuais quando a análise se desloca para as frentes de produção instaladas na região Norte do país. No estado do Tocantins, o mercado abriu o dia exibindo direções distintas entre as praças de comercialização, com a porção Sul mantendo a estabilidade nas tabelas, enquanto a praça Norte registrou um recuo de R$ 3,00 por arroba no boi gordo, ao passo que as demais categorias, como vacas e novilhas, fecharam sem alterações.
O principal esteio para a sustentação e a firmeza dos preços correntes da pecuária de corte brasileira encontra-se no desempenho acelerado dos embarques de carne bovina in natura para o exterior. Embora os dados parciais revelem uma leve perda de ritmo quando comparados com o volume recorde obtido na segunda semana de maio, os embarques consolidados permanecem operando em patamares historicamente elevados nos portos nacionais.
Até a terceira semana de maio, contabilizando um intervalo de 15 dias úteis, o volume total escoado pelas tradings atingiu a marca de 203,5 mil toneladas da proteína, gerando uma média diária de embarques fixada em 13,6 mil toneladas. Esse resultado representa uma expansão robusta de 30,7% na comparação direta com a média diária registrada em maio de 2025, evidenciando o apetite constante dos compradores internacionais.
Desempenho Externo: As exportações de carne bovina in natura alcançaram a média diária de 13,6 mil toneladas em maio, registrando alta de 30,7% sobre o ano passado.
A valorização do produto brasileiro no mercado externo manifesta-se na recuperação dos preços médios pagos pelos importadores, elevando as margens das indústrias exportadoras de grande porte. A cotação média obtida pela tonelada de carne bovina embarcada posicionou-se em US$ 6,5 mil, um avanço de 24,8% em relação ao preço médio negociado no mesmo período do ciclo anterior, impulsionando a receita.
Essa combinação favorável entre o aumento no volume físico despachado e a valorização do preço em dólares gerou um faturamento acumulado de US$ 1,3 bilhão até a terceira semana do mês. Mesmo com um número menor de dias úteis contabilizados até o momento do fechamento do balanço quinzenal da Scot Consultoria, a receita financeira gerada pela atividade exportadora já supera em 16,5% o montante total obtido em maio de 2025.
As projeções econômicas sinalizam que, caso o fluxo atual de carregamentos nos terminais portuários mantenha a regularidade nos próximos dias, o encerramento do mês consolidará maio de 2026 como um dos períodos mais lucrativos da série histórica para o complexo de carne do país. Os exportadores concentram os trabalhos no atendimento aos contratos asiáticos e europeus, garantindo o escoamento contínuo da produção das indústrias habilitadas.