
O mercado de biocombustíveis em Mato Grosso do Sul ganha um novo estímulo com a ampliação de projetos voltados à mobilidade sustentável. O Sistema Famasul e a Biosul consolidaram o início da terceira fase da campanha institucional intitulada “Movido Pelo Agro - Etanol”. A iniciativa busca expandir o consumo de combustíveis renováveis produzidos localmente.
O programa, antes direcionado a condutores de automóveis, traz modificações estruturais para elevar o volume de adesões neste ano. A principal novidade reside na inclusão de motocicletas no sistema de pontuação e premiação. A estratégia visa engajar um número expressivo de colaboradores que utilizam veículos de duas rodas nos deslocamentos diários pela capital.
Para participar dos sorteios, as regras estipulam o envio de comprovantes de abastecimento por meio de canais internos de comunicação. Os usuários possuem autorização para registrar até cinco cupons fiscais mensalmente. O regulamento exige um valor mínimo de R$ 100 por abastecimento para os carros e de R$ 30 para as motocicletas integradas ao programa.
Os incentivos financeiros foram redimensionados para acompanhar a expansão da frota cadastrada. Os sorteios mensais passam a distribuir quatro vales-combustível no valor de R$ 150 para os motoristas. Os motociclistas contemplados receberão dois cupons de incentivo no valor de R$ 50 cada, estimulando a continuidade do uso do biocombustível regional.
O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, destaca que o projeto traduz a relevância das escolhas diárias na construção de uma matriz limpa. A parceria demonstra a sintonia entre as entidades representativas e os produtores de biomassa do estado. O dirigente assinala que a iniciativa consolida uma cultura de preservação integrada ao desenvolvimento econômico.
Mato Grosso do Sul assume uma posição de vanguarda na produção de bioenergia na região Centro-Oeste. O estado ocupa atualmente a quarta colocação no ranking nacional de processamento de cana-de-açúcar e de fabricação de etanol derivado dessa cultura. O avanço tecnológico das usinas locais garantiu ainda a vice-liderança do país na produção de etanol obtido a partir do milho.
Destaque: O estado produziu 5 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, registrando um crescimento expressivo de 17,73% na comparação com o ciclo anterior.
O detalhamento do balanço produtivo aponta que as usinas sul-mato-grossenses extraíram 2,8 bilhões de litros de etanol através do esmagamento da cana-de-açúcar. O restante do volume, correspondente a 2,2 bilhões de litros, teve como origem as plantas industriais de processamento de milho. Essa diversificação de matérias-primas confere estabilidade de oferta durante todo o ano.
A infraestrutura sucroenergética do estado conta com 22 unidades industriais de bioenergia em plena atividade de cogeração. Essas plantas processadoras estão distribuídas geograficamente por mais de 40 municípios de Mato Grosso do Sul, gerando receita tributária. Além do etanol, as usinas exportam excedentes de bioeletricidade para o Sistema Interligado Nacional.
O presidente da Biosul, Amaury Pekelman, pontua que a campanha funciona como um mostruário da eficiência do agronegócio regional. O dirigente manifesta que a escala produtiva alcançada pelas indústrias locais oferece suporte para as metas nacionais de descarbonização da frota rodoviária. A cadeia produtiva destaca-se como uma das principais empregadoras do interior do estado.
Geração de Empregos: O setor sucroenergético sustenta mais de 34,5 mil vagas de trabalho diretas e terceirizadas, além de gerar cerca de 103,5 mil empregos indiretos em MS.
A absorção de mão de obra qualificada em mecânica, agronomia e engenharia química impulsiona o comércio das cidades satélites que abrigam os canaviais. O dinamismo econômico gerado pelas usinas de álcool ajuda a fixar o trabalhador nas regiões produtoras. Os investimentos contínuos em automação industrial elevam o nível de segurança e a eficiência térmica do processo.
Os indicadores ambientais coletados nas fases anteriores da campanha comprovam a viabilidade prática da substituição de combustíveis fósseis. O monitoramento técnico cobriu os deslocamentos realizados entre junho de 2025 e março de 2026. Nesse intervalo, os automóveis da instituição e os veículos particulares dos funcionários percorreram a marca de 412 mil quilômetros.
O consumo conjunto estimado para cobrir essa distância alcançou aproximadamente 51,5 mil litros de etanol regional. O uso direto do biocombustível evitou que cerca de 44,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente fossem liberadas na atmosfera de Campo Grande. Desse montante, a frota oficial respondeu por 33,9 toneladas, enquanto os funcionários pouparam 10,6 toneladas.
Quando a metodologia de avaliação abrange o ciclo de vida completo do combustível, englobando as etapas de cultivo, colheita e transporte industrial, o saldo ecológico torna-se ainda mais expressivo. A redução estimada atinge 59,7 toneladas de carbono neutralizado. Esse volume de gases retidos equivale ao benefício ambiental gerado pelo plantio de 418 árvores nativas na região.
As diretrizes de sustentabilidade de Mato Grosso do Sul estabelecem metas ambiciosas para a consolidação de uma economia de baixo carbono. A expansão da capacidade instalada das usinas de milho deve elevar o saldo produtivo nos próximos períodos de safra. O monitoramento das metas de descarbonização continuará gerando relatórios de acompanhamento para as diretorias.