China eleva compra de carne em 20% e dita ritmo do agro nacional
Publicado em 25/05/2026 10h25

China eleva compra de carne em 20% e dita ritmo do agro nacional

O Brasil elevou em 15% as exportações de carne bovina no primeiro quadrimestre de 2026, somando 953 mil toneladas com forte demanda da China.
Por: Redação

Os embarques de proteína animal do Brasil mantêm uma trajetória ascendente no mercado global, consolidando a posição do país como um dos principais provedores do comércio exterior. No primeiro quadrimestre deste ano, o volume de carne bovina negociado com compradores estrangeiros superou a marca de 953 mil toneladas. O índice representa um avanço expressivo na movimentação dos portos nacionais.

O desempenho atual supera em 15% as estatísticas registradas no mesmo intervalo do ano passado, apontando para uma aceleração no ritmo de processamento das indústrias. Quando comparado ao balanço do primeiro quadrimestre de 2024, o crescimento atinge 30%, confirmando o ganho de espaço do produto brasileiro nos canais de distribuição internacionais.

Os indicadores foram consolidados no Boletim Conjuntural divulgado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, por meio do Departamento de Economia Rural (Deral). A avaliação técnica toma como base os relatórios quinzenais do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que monitora o comportamento das negociações nas principais praças pecuárias do país.

A liderança do Mercado Asiático

A China preserva o posto de maior cliente da pecuária de corte brasileira, absorvendo parcelas expressivas dos lotes inspecionados que deixam o país. Os frigoríficos que possuem habilitação para atender as exigências sanitárias de Pequim direcionaram volumes crescentes de cortes congelados para os portos asiáticos ao longo dos primeiros quatro meses do ano.

A demanda do mercado chinês registrou uma expansão próxima de 20% na comparação com o primeiro quadrimestre do ciclo anterior. Esse movimento de compra neutraliza as pressões técnicas de outros blocos econômicos e sustenta o fluxo logístico dos exportadores, que encontram na Ásia uma regularidade indispensável para o planejamento operacional das plantas de abate.

Desempenho Global: O volume exportado de janeiro a abril alcançou 953 mil toneladas, estabelecendo uma vantagem de 30% sobre os resultados obtidos há dois anos.

A preferência dos importadores pelo produto nacional decorre da competitividade em preço e da manutenção do status sanitário do rebanho, livre de enfermidades graves que afetam concorrentes diretos. O alinhamento dos protocolos de biossegurança garante que os carregamentos transitem sem embargos burocráticos nos canais aduaneiros chineses.

Ajuste de breços na bolsa e no campo

No ambiente financeiro, o mercado futuro da pecuária reflete o cenário de transição de safra e a maior entrada de animais prontos para o abate. Na bolsa de mercadorias B3, as cotações da arroba do boi gordo passam por um período de ajuste descendente, motivado pela necessidade dos frigoríficos de escalonar as programações de recebimento de lotes.

A arroba foi cotada em média a R$ 344,80, acumulando uma desvalorização de 2,72% no decorrer deste mês. A correção de valores ocorre de forma natural, visto que o encerramento do período de águas eleva a oferta de fêmeas e animais de pasto, forçando os pecuaristas a negociar os lotes antes da perda de escore corporal decorrente da seca.

A estabilização dos preços em patamares elevados nos meses anteriores permitiu que as fazendas organizassem os custos de reposição, mas o cenário atual exige cautela nas estratégias de venda. Os analistas do Deral apontam que a tendência de flutuação deve persistir até que o confinamento do segundo semestre defina o novo volume de oferta.

O impacto das geadas no Sul do país

As condições meteorológicas nas regiões produtores do Sul introduziram variáveis adicionais na gestão das fazendas de gado de corte. No Paraná, a entrada precoce de massas de ar polar provocou a ocorrência de geadas em áreas estratégicas, danificando o tecido foliar das pastagens tropicais e reduzindo a capacidade de suporte dos piquetes.

Com a queima das pastagens pelo frio intenso, a disponibilidade de forragem sofreu uma redução abrupta, obrigando os produtores rurais a antecipar a comercialização dos animais para evitar a perda de peso no pasto. A necessidade de escoamento rápido influenciou o comportamento dos preços regionais, que acompanham as tendências registradas no ambiente paulista.

No mercado físico paranaense, o boi gordo é negociado pelo valor médio de R$ 343 por arroba, conforme o levantamento do órgão estadual. O pecuarista local tenta compensar o desgaste das pastagens com o fornecimento de alimentação suplementar no cocho, utilizando silagem e concentrados para manter o rebanho até a estabilização do clima.

As indústrias frigoríficas instaladas no estado mantêm escalas de abate regulares, aproveitando a oferta pontual gerada pelo fator climático para atender os contratos de exportação em segurança no porto de Paranaguá.