A eficiência nas operações de campo depende diretamente da resistência dos componentes mecânicos que movem tratores, colheitadeiras e caminhões de carga. Diante desse cenário de alta demanda técnica, a cadeia produtiva de elastômeros e o setor de manutenção logística preparam uma série de lançamentos industriais estruturados para o mercado agropecuário. O ponto de encontro desses segmentos será no Expo Center Norte, em São Paulo, de 23 a 25 de junho.
Os pavilhões paulistas abrigarão de forma simultânea a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos consolidados como as principais plataformas da América Latina para a difusão de tecnologia em artefatos de borracha e transformação de pneumáticos. A feira integrada reúne fabricantes de maquinários, fornecedores de insumos químicos e empresas especializadas na extensão da vida útil de rodados pesados, focando em produtividade.
No ecossistema do agronegócio nacional, os componentes emborrachados operam como elementos de proteção em sistemas que enfrentam atrito severo e variações térmicas diárias. A presença desses materiais estende-se por toda a jornada industrial, desde as mangueiras de alta pressão que acionam os sistemas hidráulicos das plantadeiras até as correias transportadoras responsáveis pelo fluxo contínuo de grãos nos silos de armazenagem.
A modernização das frotas agrícolas e o avanço da agricultura de precisão exigem que as vedações, coxins e anéis de retenção apresentem durabilidade superior. Componentes de baixa qualidade geram paradas imprevistas no período de colheita, resultando em prejuízos financeiros severos para produtores e cooperativas. O desenvolvimento de compostos sintéticos de alta performance busca eliminar o tempo de ociosidade das máquinas na lavoura.
Os defeitos em sistemas de vedação e mangueiras durante o pico da safra representam uma das principais causas de interrupção mecânica nas fazendas brasileiras.
As usinas do setor sucroenergético figuram entre os maiores consumidores de artefatos técnicos de borracha, devido ao regime de trabalho ininterrupto durante o período de moagem da cana-de-açúcar. Os caminhões transbordos e as colhedoras operam sob forte exposição à poeira, resíduos abrasivos e calor extremo. Essas condições aceleram o desgaste natural de retentores, juntas de motores e raspadores das esteiras industriais.
Os expositores da feira trazem ao mercado novas ligas elastoméricas que incorporam aditivos químicos avançados, capazes de resistir ao ataque de óleos lubrificantes e combustíveis. Essa evolução na engenharia de materiais aumenta o intervalo de troca das peças, gerando economia para as equipes de manutenção corporativa. A estabilidade das borrachas especiais garante que os sistemas de amortecimento absorvam os impactos do relevo irregular sem romper.
A gestão de custos com pneus configura uma das frentes mais sensíveis na administração de frotas pesadas rurais. Em grandes grupos agrícolas, os pneus ocupam as primeiras posições no ranking de despesas operacionais, perdendo apenas para o consumo de óleo diesel. Nesse contexto financeiro apertado, as tecnologias expostas na feira focam na redução do custo por hora trabalhada de cada rodado agrícola.
A reforma de pneus desponta como uma alternativa estratégica para garantir a sustentabilidade das operações de transporte no campo. O processo estende a vida útil das carcaças comerciais, permitindo que uma estrutura de pneu de caminhão ou trator receba uma nova banda de rodagem após o desgaste da borracha original. A prática devolve o composto ao trabalho com características de aderência e segurança semelhantes às de um item novo.
A viabilidade econômica do reaproveitamento é acompanhada de vantagens ambientais nítidas para as metas de governança das empresas do agronegócio. A reforma consome uma quantidade significativamente menor de derivados de petróleo em comparação à fabricação de um pneu zero quilômetro. Esse modelo reduz o volume de resíduos sólidos descartados no meio ambiente e diminui as emissões de gases de efeito estufa associadas à logística reversa.
O reaproveitamento de pneus de grande porte pode gerar uma economia de até 60% nos custos de rodagem em comparação com a aquisição de produtos novos.
Para que a reforma apresente o desempenho esperado, as empresas do setor investem em sistemas digitais de inspeção por ultrassom e rastreamento por radiofrequência (RFID). Essas ferramentas permitem avaliar a integridade interna das malhas de aço da carcaça antes da aplicação da nova borracha. O controle de qualidade rigoroso impede que pneus com danos estruturais ocultos retornem para as operações severas de transporte de safra.
A organização das feiras, coordenada pela Francal, conta com o suporte das principais entidades de classe que representam o setor industrial brasileiro. A Expobor recebe a chancela da Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (Abiarb) e do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha e da Reforma de Pneus no Estado de São Paulo (Sindibor), garantindo a presença dos maiores players químicos nacionais.
Por sua vez, as discussões e lançamentos da área de pneumáticos rurais na Pneushow contam com o apoio da Associação Brasileira da Reforma de Pneus (ABR) e da Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo (Aresp). Os organizadores projetam que os debates técnicos realizados durante os três dias de feira colaborem para estreitar as relações comerciais entre as indústrias transformadoras e as grandes tradings do agro.
A infraestrutura do Expo Center Norte receberá os visitantes diariamente das 13 horas às 20 horas. As inscrições para o acesso aos estandes e para a participação nos fóruns de debate já estão liberadas nos portais oficiais de cada evento, centralizando as inovações que ditarão o ritmo da manutenção de frotas pesadas até o fechamento do calendário de feiras corporativas no segundo semestre deste ano.